A visão de um Fiscal do CRF
"Queridos
colegas de profissão:
Guardem as facas e leiam (se informem e se divirtam um pouco, risos).
Venho por meio desta redação simples, tentar expor o ponto de vista de
um fiscal de Conselho profissional.
O fiscal do conselho de farmácia, antes de tudo, é um farmacêutico (e
sim, nós também pagamos anuidade, o que muitos acham que não fazemos). E
como profissionais farmacêuticos, temos o mesmo interesse: o melhor
para saúde da nossa população e a melhora da valorização da nossa
classe.
Muitos profissionais, infelizmente, pensam que estamos ‘’do lado
contrário’’, que ‘’queremos que os farmacêuticos sejam escravos de um
estabelecimento’’.
Primeiramente gostaria de explicar o objetivo da
fiscalização.
A fiscalização objetiva, primeiramente, o acesso da população ao
profissional farmacêutico. Fiscalizamos se o profissional está realmente
fazendo seu papel, se está em dia com a sua documentação necessária e
se ele esta realmente prestando assistência. Objetiva também, saber se
ele cumpre com sua ética profissional, orientação (principalmente dos
recém formados, que ainda não possuem tanta experiência). E objetiva
gerar empregos. Sim, gerar empregos! Se não houvesse fiscalização, até
hoje estaríamos com a maioria dos estabelecimentos sendo ‘’assinados’’
como antigamente. E infelizmente, até hoje presencio isso em alguns
lugares.
Ao “dar o nome’’ em uma farmácia/drogaria/laboratório,
entre outros, saiba que você está prejudicando seriamente a classe. Você
está atestando que o profissional não é necessário, já que com apenas
uma assinatura sua ele continua funcionando sem a sua presença. Está
atestando que a sua presença é totalmente dispensável.
Quando
fazemos fiscalizações noturnas e aos finais de semanas, não queremos que
o mesmo farmacêutico trabalhe 24 horas.
Isso é escravidão.
Queremos
gerar oportunidades para quem ainda não conseguiu sua colocação no
mercado.
Mudando um pouco de assunto: ESTUDE! SAIBA AS ATRIBUIÇÕES do CRF, do
CFF, do Sindicato, da Vigilância Sanitária local, da ANVISA, do
Ministério Público, da Policia. Procure saber a atribuições dos
conselheiros regionais e federais, saber sobre os candidatos que vocês
votam nas eleições de conselho e do nosso País.
Saiba a Constituição que
os rege! Antes de sair ‘’rasgando o verbo’’ com a instituição errada,
saiba o que cada uma faz. Direito deveria ser uma matéria do ensino
fundamental. Serve pra tudo, não só para sua profissão. E eu sei que
você odiava Deontologia na faculdade, porque também não era uma das
minhas matérias favoritas (risos)
Atenção: Sindicato e Conselho são instituições diferentes.
Só o
sindicato pode brigar pelo piso farmacêutico.
Muitos farmacêuticos não
recebem o piso, e culpam o Conselho.
O Conselho, quando registra um
farmacêutico como RT de um estabelecimento, pede a carteira de trabalho
do profissional com o piso salarial. Se o farmacêutico mesmo assim não
está recebendo, se torna uma questão trabalhista.
Receber abaixo do
piso, é infração ética previsto no código de ética profissional.
Se te
registram na carteira com um valor e não te pagam, você deve procurar o
Ministério do Trabalho e denunciar essa situação. Registrar alguém com
um valor e pagar outro, é crime de falsificação de documento público,
previsto no Código Penal Brasileiro art.297 §3º II.
Outro assunto:
“Ah, mas você? Você é concursada, você não trabalha, você ganha bem...”
Em primeiro lugar: de onde o brasileiro tira essa ideia de que servidor
público não trabalha?
Prestar um concurso público agora é ganhar na
loteria?
Assim seria muito fácil hein? Por qual razão a Administração
pública contrataria funcionários e abriria processos seletivos para
onerar os cofres públicos, se não estivessem precisando de mão de obra?
Em qualquer lugar deste país, tanto no setor público quanto no setor
privado existem bons e maus funcionários. Existem os que querem
trabalhar e os que não querem. No setor público isso não é diferente. Se
você acha que estou mentindo, então estude e passe no mesmo concurso
que passei, você verá que tudo tem seu bônus e se ônus. Mas não me venha
dizer que não trabalho. Trabalho e não é pouco. Tenho horário para
entrar e para sair, tudo é registrado. Tenho metas a cumprir. Tenho que
trabalhar noites e finais de semana. Não pense você, que não está na
minha pele que eu chego em casa e deito no meu travesseiro para dormir.
Preciso organizar itinerários, relatórios, ler e-mails institucionais,
estudar para que eu esteja sempre atualizada sobre as novas legislações
para orientar os profissionais.
Quanto ao meu salário, ele é
divulgado para todo mundo ver.
Procure saber se acha que ganho tão a
mais que você.
Faço tudo isso por uma razão: eu quero que o nosso mercado melhore, que
os profissionais estejam mais capacitados, que nossa profissão seja bem
vista. Cansei de ver que as drogarias não são mais estabelecimentos de
saúde, e sim um mercado de caixinhas. Se por algum motivo eu voltar ao
mercado de trabalho, quero que ele esteja melhor do que está atualmente,
e por isso tento fazer um serviço bem feito.
É uma pena mesmo que
os fiscais sejam tão mal vistos, que os farmacêuticos pensem que
estamos contra a classe.
Uma pena também, quando estou em uma cidade,
faço minha primeira visita e todos os outros estabelecimentos são
avisados ‘’o fiscal tá aí, o fiscal tá aí’’.
Caramba!?
Qual o objetivo
disso?
Você estava lá trabalhando, o outro que só ‘’assina’’, que estava
em casa no bem-bom, sai correndo pra farmácia... O bobo é você que
avisou, não o fiscal.
Fiscal não é idiota.
Sabemos quem realmente presta
assistência.
Mais uma vez, você esta desvalorizando a classe. Se você
precisa se ausentar da farmácia em algum momento, tem todo direito de
fazer isso, Farmacêutico também é gente! Basta acessar o site e
comunicar sua ausência com antecedência.
É óbvio que imprevistos
acontecem. Mas todas as vezes que eu estou na cidade, aconteceu alguma
coisa e você não estava lá?
Repito: fiscal não é idiota.
Um abraço a todos os profissionais que lutam pela profissão! Continuemos
juntos nessa batalha pela valorização!
Livia Pimentel Ribeiro
CRFMG 22950
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