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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Descobertos cinco novos genes de risco de Alzheimer

Ao pesquisar as causas genéticas do mal de Alzheimer, cientistas identificaram cinco novos genes, dobrando o número anterior de genes ligados à doença degenerativa.
Se medicamentos ou mudanças de estilo de vida puderem ser criados para combater essas variações genéticas, mais de 60% dos casos de Alzheimer poderão ser prevenidos, segundo os pesquisadores, cujo trabalho foi publicado na revista "Nature Genetics", no domingo.
Mas essas descobertas devem demorar pelo menos 15 anos, disseram eles.
O mal de Alzheimer é a forma mais comum de demência, uma doença cerebral fatal que afeta a memória, o raciocínio, o comportamento e a capacidade de realizar afazeres comuns do dia a dia. A doença vem afetando cada vez mais as sociedades e economias de todo o mundo.
"Estamos começando a juntar as peças do quebra-cabeça e a entender melhor" a doença, disse Julie Williams, do Centro de Genética e Genômica Neuropsiquiátricas da Universidade de Cardiff, que liderou o estudo.
"Se conseguirmos eliminar os efeitos colaterais dos tratamentos com genes, esperamos que possamos então reduzir a proporção de pessoas que contraem Alzheimer a longo prazo."
Os pesquisadores afirmam que as variantes genéticas encontradas destacam as diferenças específicas em pessoas que contraem Alzheimer, incluindo variações no sistema imunológico, no modo pelo qual o cérebro lida com o colesterol e lipídios, bem como um processo chamado endocitose, que remove proteínas tóxicas do cérebro.

FARDO PARA A SOCIEDADE
A entidade Alzheimer's Disease International prevê que, conforme a população envelhece, os casos de demência dobrarão a cada 20 anos, atingindo os cerca de 66 milhões em 2030 e 115 milhões em 2050. Boa parte das vítimas se concentra em países pobres.
"O interessante é que os genes que conhecemos agora - os cinco novos, além dos anteriormente identificados - estão agrupados em padrões", disse Williams em uma entrevista em Londres.
Os cientistas suspeitam que os genes podem explicar de 60 a 80 por cento do risco de Alzheimer de início tardio, o tipo que se manifesta na velhice.
Para encontrar novas variantes do gene, Williams e um grupo internacional de pesquisadores analisaram dados de 25 mil pessoas portadores do mal de Alzheimer e 45 mil pessoas saudáveis que foram usados como "controles".
Eles descobriram que variações comuns do gene chamadas ABCA7, EPHA1, CD33 e CD2AP e MS42A estavam relacionados a um risco maior de desenvolver a doença. "Estes cinco genes agora mostram evidência convincente de associação com o mal de Alzheimer", disse ela.
Estudos anteriores sobre as últimas décadas demonstraram que as variações do gene conhecidas como CLU, PICALM, CRI, BIN1 e APOE também estão relacionadas ao risco de contrair Alzheimer.

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/897720-cientistas-descobrem-cinco-novos-genes-de-risco-de-alzheimer.shtml

terça-feira, 22 de março de 2011

Molécula sintética detecta Alzheimer antes que sintomas apareçam


22/03/2011 -Diário da Saúde

Moléculas sintéticas

Cientistas desenvolveram uma nova técnica capaz de diagnosticar a doença de Alzheimer a partir de amostras de sangue muito antes de os sintomas aparecerem.

A técnica, ainda em estágio preliminar, utiliza moléculas sintéticas para procurar e identificar anticorpos específicos da doença.

Segundo os pesquisadores, o conceito também poderá ser usado no desenvolvimento de biomarcadores específicos para uma série de outras doenças difíceis de diagnosticar, incluindo o Mal de Parkinson e doenças ligadas ao sistema imunológico, como a esclerose múltipla e o lúpus.

Biomarcadores de anticorpos

"Um dos grandes desafios no tratamento de pacientes com Alzheimer é que, uma vez que os sintomas aparecem, é tarde demais. Você não consegue 'destocar' o sino," afirma o Dr. Dwight German, da Universidade Southwestern, nos Estados Unidos.

Se pudermos encontrar uma maneira de detectar a doença em seus estágios iniciais - antes que o comprometimento cognitivo comece - poderíamos ser capazes de estacioná-la com o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento."

Como os pacientes com doença de Alzheimer apresentam uma ativação do sistema imunológico e neurodegeneração em várias regiões cerebrais, os cientistas levantaram a hipótese de que pode haver inúmeros anticorpos no soro dos pacientes afetados que são específicos para a doença e que podem servir como biomarcadores.

Biomarcadores de anticorpos têm sido tradicionalmente descobertos usando antígenos - substâncias, como a proteína de um vírus ou bactéria que desencadeia uma resposta imune.

O problema é identificar previamente um anticorpo sem antes saber o antígeno que desencadeia a sua produção.

Peptoides

A novidade do novo estudo está em desafiar a sabedoria convencional e usar moléculas sintéticas (peptoides), em vez de antígenos, para detectar os sinais da doença em amostras de sangue dos pacientes.

Estes peptoides têm várias vantagens: eles podem ser modificados facilmente e podem ser produzidos rapidamente em quantidades relativamente grandes a custos muito baixos.

Os pesquisadores usaram uma biblioteca de vários milhares de peptoides para rastrear amostras de soro de camundongos com sintomas de esclerose múltipla, bem como de camundongos sadios.

Os peptoides que capturaram mais anticorpos das amostras de sangue dos animais foram identificados como agentes potenciais para a captura de moléculas úteis para diagnóstico.

Marco

Os pesquisadores então fizeram o mesmo com amostras de soro de seis pacientes com Alzheimer, seis pacientes com Parkinson e seis pacientes saudáveis.

Foram identificados três peptoides que capturaram seis vezes mais anticorpos nos pacientes com Alzheimer do que no grupo controle saudável ou nos pacientes com Mal de Parkinson.

Em um estudo adicional com 16 indivíduos saudáveis e 10 portadores de Alzheimer em estágio muito precoce da doença, as três moléculas identificaram o Mal de Alzheimer com 90 por cento de precisão.

"Os resultados deste estudo, embora preliminares, mostram um grande potencial para se tornarem um marco no tratamento da doença," disse German.

fonte: http://www.sincofago.com.br/sincofago/noticias.asp?id=1100