quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A importância da vitamina B12 e seus alimentos fontes para o idoso

A memória tem sido sempre uma preocupação dos idosos e até de pessoas mais jovens. Dessa forma, são freqüentes as queixas de problemas na esfera cognitiva dos nossos pacientes. Chamamos habilidades cognitivas toda uma organização de memória e pensamento que nos faz capaz de resolver tarefas simples e complexas. Quando pedimos para um paciente portador de algum tipo de demência que ele leve um objeto até uma mesa próxima, deixe-o lá e nos traga outro objeto lá deixado, essa tarefa parece extremamente complexa, pois há uma perda da capacidade de organizar cada etapa das tarefas, por mais simples que elas sejam.  Quando há perda da memória ou da orientação no tempo e espaço e o paciente não sabe mais que dia é hoje ou em que ano estamos, esse quadro já define uma doença muito avançada. 

Felizmente, a maior parte dos nossos pacientes com queixas de dificuldades de memória não tem demência. São vítimas do stress e cansaço com a correria do dia a  dia. Além disso, o medo de esquecer pode gerar maior dificuldade em se lembrar dos detalhes dos fatos recentes, como o que eu comi ontem ou o nome do filme que eu assisti no final de semana. A orientação para esses casos não passa de recomendações de cuidado com o stress e um providencial maior período de repouso e laser. 

Outra situação que vem sendo regularmente avaliada pelos neurologistas, frente às queixas de alterações de memória em seus pacientes, são os níveis de vitamina B12. Alguns deles demonstram deficiência da vitamina no sangue e isso tem sido relacionado à alterações cognitivas. Acaba de ser publicado na revista médica da American Academy of Neurology  um trabalho científico que vem confirmar a importância da vitamina B12 para a saúde neurológica das pessoas. Os autores da pesquisa avaliaram os níveis da vitamina B12 em 121 pessoas com mais de 65 anos e correlacionaram esses resultados com testes de memória e outras habilidades cognitivas, além da avaliação cerebral através de Ressonância Nuclear Magnética. Os níveis de vitamina B12 revelaram boa correlação com os testes cognitivos e de memória, de maneira que os mais baixos valores da vitamina foram associados com os piores índices cognitivos, bem como com redução do volume cerebral medido pela ressonância nuclear magnética. 

Esses achados vem confirmar um fato já estudado e bem conhecido que é a importância da proteína de origem animal na alimentação do idoso. Esses alimentos, incluindo peixe, carne vermelha, frango, ovos e leite são sabidamente as principais fontes de vitamina B12 de nossa dieta. Frente à conhecida importância dessa vitamina na preservação da memória, assim como de todas as demais habilidades cognitivas do idoso, faz-se necessária a adequação desse micronutriente à sua dieta. O que ocorre com os idosos é que eles passam a evitar inicialmente a carne, por problemas de mastigação e digestão. Depois, evitam o frango com a alegação de que não tem sabor. Finalmente, deixam de tomar leite devido à maior fermentação e formação de gases. Com isso, eles deixam de ingerir todas as fontes nutricionais da vitamina B12.

Isso não significa que o problema possa ser solucionado apenas com suplementação. Não podemos abrir mão dos alimentos em prol de cápsulas vitamínicas. No caso da vitamina B12, há ainda dificuldades na absorção da mesma e muitas vezes a suplementação, quando necessária, deve ser feita através de injeções intramusculares.  Por outro lado, ainda não temos conhecimento científico que nos permita administrar grandes doses de vitamina B12 na tentativa de prevenir esses problemas, mas é uma questão interessante a ser estudada. Quando esse raciocínio foi usado para as demais vitaminas como a vitamina C, betacaroteno e vitamina E, os resultados não foram bons. Em super dosagens, essas vitaminas, além de não melhorarem a sobrevida, se mostraram deletérias. Portanto, o ideal ainda é a manutenção dos níveis normais da vitamina B12 através de uma alimentação balanceada. 


fonte: http://comersemculpa.blog.uol.com.br/arch2011-09-16_2011-09-30.html

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