terça-feira, 28 de junho de 2011

Uso da pílula anticoncepcional ainda gera dúvida entre as mulheres

G1 A pílula anticoncepcional é uma das opções mais escolhidas para evitar a gestação. Mas o uso do medicamento, que chega a ter 99% por cento de eficácia, ainda gera dúvidas. Há quem não viva sem ele, mas outras pessoas evitam por acreditar que podem ter riscos à saúde.

A pílula anticoncepcional surgiu na década de 1960. Na época, o medicamento tornou-se um simbolo do movimento feminista e do processo de liberdade sexual das mulheres. Pela primeira vez, elas teriam autonomia para decidir quando iriam engravidar. Um controle que ajudou a abrir as portas do mercado de trabalho e foi fundamental na luta por direitos iguais.

Atualmente a medicina oferece muitas alternativas para evitar a gravidez, como a injeção, o diafragma, o DIU e o adesivo. Mas a pílula ainda é o método mais usado no mundo. Um dos motivos está na praticidade: cada cartela tem as doses de hormônio necessárias para evitar a ovulação.

Toda vez que a mulher ingere a pílula, os hormônios sintéticos presentes no medicamento vão parar na corrente sanguínea e depois no cérebro. A substância age em uma glândula chamada hipófise. É como se informasse ao corpo que a mulher já ovulou. Assim, a glândula deixa de produzir os hormônios naturais e a gestação é evitada.

O processo é o mesmo para todas as pílulas, mas no mercado, existem mais de 80 opções diferentes e com preços que podem variar de R$ 5 a 60. "Hoje em dia o que manda no preço é a marca do medicamento ou a concentração dele. Por isso a diferença é grande", explica o farmacêutico Jary Novaes.

Em alguns casos, a diferença vai além do preço. Há mais de 15 anos, a analista de sistemas Ana Karina Espíndola de Albuquerque desistiu de usar o medicamento. Na época, antes do casamento, foi orientada a tomar a pílula por um médico. Mas os efeitos colaterais vieram em plena lua-de-mel. "Dor de cabeça, inchaço, me causou muito mal. Imagina ficar três meses com dor de cabeça constante", relata.

O ginecologista Edvardes Gomes diz que se o médico prescreve o medicamento de acordo com as características de cada mulher, evita-se o risco dos efeitos colaterais. Nem sempre o que é bom para uma, servirá para outra. "Cada mulher tem um perfil, um peso, doenças prévias, um tipo de ciclo menstrual. Isso tudo vai ser avaliado pelo médico antes de prescrever a pílula", diz.

Outras pacientes costumam associar o anticoncepcional ao aparecimento de doenças. A panfletista Elza Pinheiro suspeita que o uso do anticoncepcional por quase 30 anos tenha relação com o câncer que ela desenvolveu há cinco anos. "É um remédio que tem muita química", diz.

Mas o médico explica que a pilula só é contraindicada em alguns casos específicos, e não provoca doenças. "Existe pílula específica para o período de amamentação. Ou se ela tem doença hepática grave, a pílula seria contraindicada", afirma Gomes.

Com a ajuda de um especialista é possível encontrar uma saída, como fez Ana Karina. Depois de conviver por anos com a tabelinha, ela se adaptou ao DIU. Hoje ela não usa nenhum método, só que desta vez, por opção. "A gente decidiu concretizar esse amor tendo um filho, então faz uns dois meses que eu tirei [o DIU] para a gente planejar esse filho", diz a analista.

fonte: http://www.fatimanews.com.br/noticias/uso-da-pilula-anticoncepcional-ainda-gera-duvida-entre-as-mulheres_119430/

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