quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Genérico ou de marca: o doente é que faz a diferença


São muitas vezes feitos na mesma fábrica, tomados nas mesmas quantidades e a sua principal substância é exactamente igual. Não existem diferenças entre os medicamentos de marca ou os genéricos, garantem os estudos. Reacções diferentes dependem do doente e até de efeitos psicológicos”, explica ao Diário de Notícias o director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, reagindo às declarações do bastonário dos Médicos, que alega que estes fármacos  não têm o mesmo efeito.

“ Mesmo quando se analisa medicamentos originais há sempre um caso ou outro que não reage da mesma maneira. Se tomar um medicamento com gripe o efeito é menor, se estiver a tomar outro remédio pode interagir com este. Pode haver uma variação muito pequena do genérico que pode levar a pessoa a sentir alguma diferença, mas é raro”, explica ao DN António Vaz Carneiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de Medicina de Lisboa.

O efeito psicológico também tem muita importância e pode fazer diferença naquilo que o doente sente. “ Num estudo inglês foi dado a um conjunto de doentes um medicamento de marca dentro da caixa, um placebo [um comprimido de açúcar que não provoca efeitos] na caixa de marca, um remédio de marca numa caixa sem nome e um placebo dentro de uma caixa sem nome. Os doentes disseram que sentiram mais efeitos com o medicamento original dentro da sua caixa e a seguir com o placebo dentro da caixa original”, relata o médico ao jornal.

O bastonário da Ordem dos Médicos disse ao DN, a propósito do diploma do Governo que permitia a troca de remédios nas farmácias e que foi terça-feira vetado pelo Presidente da República, que existem remédios que têm o mesmo composto principal, mas que não são equivalentes biologicamente. António Vaz Carneiro rejeita a ideia e explica que se não tivessem o mesmo efeito, não poderiam ser genéricos.

“ Tem de ter efeitos semelhantes ao medicamento original. Tem o mesmo princípio activo, a substância em que é envolvido para ser dissolvido é semelhante. Se a toma do original é três vezes ao dia, a do genérico também. Eles são bioequivalentes, ou seja, provocam a mesma reacção junto dos mesmos doentes nas mesmas condições”, afirma. E explica que “ não existem cópias exactas e mesmo os medicamentos que estão na mesma caixa podem não ser exactamente iguais”.

Vaz Carneiro apoia a decisão de Cavaco Silva de se opor à troca de um medicamento de marca por um genérico na farmácia, tal como o diploma do Governo permitia. “ Quando receito um medicamento para o doente, que foi bem pensado, que tem em conta os aspectos fi
nanceiros, de toma, não posso aceitar que seja alterado na farmácia. Eu conheço os pacientes e a prescrição não pode ser mudada porque alguém diz que pode levar outro. Para muitos doentes é uma confusão estar a trocar de remédio. Num mês levar uma caixa verde, no outro azul, noutro castanho”, exemplifica.

O clínico diz ao DN que o risco de existirem problemas é real, já que muitos doentes tomam mais do que um remédio por dia e têm dificuldade em perceber o que está escrito na embalagem. “ Podemos ter pessoas a tomar dois medicamentos para a mesma coisa sem perceberem.” Esta foi uma das razões evocadas pelo Presidente para chumbar o diploma que queria receitas sem marcas.

fonte: http://www.rcmpharma.com/news/11910/51/Generico-ou-de-marca-o-doente-e-que-faz-a-diferenca.html

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