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sábado, 1 de junho de 2013

Anti-inflamatórios aumentam risco de doenças cardíacas, diz estudo

Quando tomados em grandes doses, diclofenaco e ibuprofeno podem aumentar chances de ataques do coração e falência cardíaca.

Um estudo britânico publicado na revista científica "Lancet" sugere que anti-inflamatórios analgésicos, como o ibuprofeno e o diclofenaco, podem aumentar o risco de doenças cardíacas quando ingeridos em grandes doses.
Estudos anteriores já haviam apontado a relação entre os anti-inflamatórios e problemas do coração, mas esta é a primeira vez que uma pesquisa faz uma análise mais detalhada.
Os autores, da Universidade de Oxford, analisaram o prontuário de 353 mil pacientes para avaliar o impacto dos anti-inflamatórios, que são medicamentos não esteroides e, no Brasil, são vendidos com nomes comerciais como Voltaren e Cataflan.

Os cientistas examinaram receitas médicas com altas doses diárias de anti-inflamatórios, de 150 mg de diclofenaco ou 2.400 mg de ibuoprofeno, e não as prescrições de pequenas doses, que podem ser adquiridas nas farmácias sem receita médica.

Os resultados apontaram que, para cada mil pacientes analisados, o risco de ataque cardíaco aumentava de 8 para 11 por ano. Também foram registrados quatro casos adicionais de falência cardíaca e uma morte, além de casos de sangramento no estômago.

"Três casos adicionais de ataque cardíaco por ano podem parecer um risco baixo, mas cabe aos pacientes julgarem se querem tomar os medicamentos", disse o pesquisador-chefe, Colin Baigent. Ele salientou que os resultados da pesquisa não devem preocupar pessoas que tomam baixas doses dos medicamentos para tratar problemas como dor de cabeça.

No entanto, o cientista alerta que quem já corre risco de doenças cardíacas tem mais chance de desenvolver complicações se tomar altas doses de anti-inflamatórios.

Tábua da salvação
Um terceiro medicamento analisado no estudo, chamado naproxeno, apontou riscos menores de complicações cardíacas e tem sido prescrito por médicos para pacientes considerados de alto risco.
O remédio, com ação similar à da aspirina, impede a formação de coágulos sanguíneos e também pode aumentar o risco de sangramento estomacal, afirmaram os especialistas.

Pessoas que sofrem de artrite reumatoide geralmente se beneficiam dos anti-inflamatórios analisados no estudo, que aliviam a dor e combatem a inflamação.

O professor Alan Silman, diretor da organização Arthritis Research UK, diz que esses medicamento são uma "tábua da salvação" para milhões de pessoas e extremamente eficientes em diminuir a dor.

"No entanto, por causa de seus possíveis efeitos colaterais, especialmente o de maior risco de complicações cardiovasculares, há uma necessidade urgente de encontrar alternativas que sejam tão eficientes e seguras."

Fonte: G1


segunda-feira, 15 de abril de 2013

O risco de anti-inflamatórios

Sociedades médicas voltam a combater uso irrestrito de remédios tarja vermelha, vendidos livremente no mercado

Um dos campeões de vendas nas farmácias e da automedicação, os anti-inflamatórios estão na mira das sociedades médicas. Com aumento de complicações e atendimentos de urgência provocados pelo uso inadequado, algumas entidades passaram a defender uma mudança na forma da prescrição. A proposta é que todos os medicamentos dessa classe sejam vendidos com a retenção de uma cópia da receita.

“É preciso fazer algo. Boa parte dos atendimentos de urgência, como hemorragias e lesões agudas gástricas, é provocada pelo uso exagerado do remédio”, afirma o presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, José Roberto Almeida.

“Somos uns dos campeões mundiais no uso dessa classe de medicamento. Eles são importantes, úteis, mas quando usados de forma adequada”, afirma o diretor médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), An-thony Wong.

Um dos principais erros, diz Wong, é usar anti-inflamatórios como ferramenta para reduzir a dor. “O remédio não foi desenvolvido com essa finalidade.” Ele atribui a grande incidência de complicações ao desconhecimento das interações que o medicamento pode trazer. “Geralmente esse tipo de remédio é usado por pessoas idosas, que já têm outros tipos de problema”.

A ideia, portanto, é estabelecer como regra geral para todos os anti-inflamatórios o que já acontece com alguns medicamentos da classe e todos os antibióticos. O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Barbano, afirma que pedidos de regras mais rígidas já chegaram à agência. “Por enquanto temos outra prioridade. Não acreditamos que o comportamento possa ser mudado só com o aumento de restrições.”


Receita
Barbano diz que a agência quer encontrar mecanismos para fazer valer uma regra antiga, mas que raramente é respeitada: a necessidade da apresentação da receita para remédios de tarja vermelha. Em fevereiro, a Anvisa publicou pela segunda vez um edital para interessados em participar de uma força de trabalho encarregada de estabelecer medidas para estimular o uso racional de medicamentos. Cerca de 120 inscrições foram feitas. A expectativa é a de que até o fim do ano uma política já esteja traçada.

A intenção é alertar a população sobre os riscos da automedicação, chamar a atenção dos locais de venda para a necessidade do cumprimento das regras e reforçar a vigilância. “Vamos alertar todos os setores envolvidos, discutir estratégias de tal forma que, quando a cobrança começar a ser feita, ninguém possa dizer que não estava preparado.”

O presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, considera acertada a estratégia da Anvisa. “Toda venda de medicamento com tarja deve ser feita mediante a apresentação da receita.” Para ele, a automedicação tem de ser reduzida não com mais burocracia, mas com a criação de campanhas de esclarecimento.

Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, concorda. “É preciso exigir receita, mas também garantir o acesso a atendimento médico”, disse. “Enquanto o acesso for difícil, as pessoas vão recorrer ao palpite da vizinha ou aos medicamentos sugeridos nas farmácias.”

Balanço
Em 2012, 129.279 caixas de anti-inflamatórios foram vendidas no País, segundo o levantamento feito pelo Sindusfarma. Essa classe de medicamentos representa 4,9% da movimentação do setor. Em 2010, haviam sido vendidas 106.043, ou seja, uma alta de 21,9% em dois anos. Em 2012, foram vendidas no País 2.587 868 caixas de remédios, uma alta de 25% em comparação ao total de 2010 (2.069.607).

Fonte: Agência Estado
Divulgação: Medicina em Goiás

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Médicos agora miram anti-inflamatório


 
07/04/2013 - O Estado de S.Paulo
JornalistaLígia Formenti
Um dos campeões de vendas nas farmácias e da automedicação, os anti-inflamatórios estão na mira das sociedades médicas. Com aumento de complicações e atendimentos de urgência provocados pelo uso inadequado, algumas entidades passaram a defender uma mudança na forma da prescrição. A proposta é que todos os medicamentos dessa classe sejam vendidos com a retenção de uma cópia da receita.

"É preciso fazer algo. Boa parte dos atendimentos de urgência, como hemorragias e lesões agudas gástricas, é provocada pelo uso exagerado do remédio", afirma o presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, José Roberto Almeida.

"Somos uns dos campeões mundiais no uso dessa classe de medicamento. Eles são importantes, úteis, mas quando usados de forma adequada", afirma o diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Anthony Wong.

Um dos principais erros, diz Wong, é usar anti-inflamatórios como ferramenta para reduzir a dor. "O remédio não foi desenvolvido com essa finalidade." Ele atribui a grande incidência de complicações ao desconhecimento das interações que o medicamento pode trazer. "Geralmente esse tipo de remédio é usado por pessoas idosas, que já têm outros tipos de problemas."

A ideia, portanto é estabelecer como regra geral para todos os anti-inflamatórios o que já acontece com alguns medicamentos da classe e todos os antibióticos. O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Barbano, afirma que pedidos de regras mais rígidas já chegaram à agência. "Por enquanto temos outra prioridade. Não acreditamos que o comportamento possa ser mudado só com o aumento de restrições."

Barbano diz que a agência quer encontrar mecanismos para fazer valer uma regra antiga, mas que raramente é respeitada: a necessidade da apresentação da receita para remédios de tarja vermelha. Em fevereiro, a Anvisa publicou pela segunda vez um edital para interessados em participar de uma força de trabalho encarregada de estabelecer medidas para estimular o uso racional de medicamentos. Cerca de 120 inscrições foram feitas. A expectativa é a de que até o fim do ano uma política já esteja traçada.

A intenção é alertar a população sobre os riscos da automedicação, chamar a atenção dos locais de venda para a necessidade do cumprimento das regras e reforçar a vigilância. "Vamos alertar todos os setores envolvidos, discutir estratégias de tal forma que, quando a cobrança começar a ser feita, ninguém possa dizer que não estava preparado."

O presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, considera acertada a estratégia da Anvisa. "Toda venda de medicamento com tarja deve ser feita mediante a apresentação da receita." Para ele, a automedicação tem de ser reduzida não com mais burocracia, mas com a criação de campanhas de esclarecimento.

Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, concorda. "É preciso exigir receita, mas também garantir o acesso da população a atendimento médico", disse. "Enquanto o acesso for difícil, as pessoas vão recorrer ao palpite da vizinha ou aos medicamentos sugeridos nas farmácias." Roberto Almeida diz que atividades educativas são imprescindíveis. "Se isso não funcionar, é preciso pensar em algo mais restritivo."

Vendas. Em 2012, 129.279 caixas de anti-inflamatórios foram vendidas no País, segundo o levantamento feito pelo Sindusfarma e IMS Health. Essa classe de medicamentos, representa 4,9% da movimentação do setor. Em 2010, haviam sido vendidas 106.043, ou seja, uma alta de 21,9% em dois anos. "Houve um aumento, mas equivalente ao crescimento que ocorreu no mercado neste período", diz o presidente do sindicato. Em 2012, foram vendidas no País 2.587.868 caixas de remédios, uma alta de 25% em comparação ao total de 2010 (2.069.607).