Associação Nacional de Farmácias defende que é altura de rever a legislação.
Segundo a ANF, o consumidor está a pagar mais fora das farmácias PEDRO VILELA Há dez anos que os medicamentos sem receita médica podem ser vendidos
fora das farmácias, mas estas consideram que as grandes vantagens
anunciadas para a medida nunca se concretizaram."O
preço dos medicamentos vendidos fora das farmácias aumentou 12% e
apenas três cadeias de distribuição detêm 80% do mercado destes
medicamentos, vendidos fora das farmácias", disse à Lusa o director da
área profissional da Associação Nacional de Farmácias (ANF). Para
Humberto Martins, estas duas situações demonstram que "as principais
vantagens da medida não se concretizaram: a baixa de preço e a melhoria
do acesso".A ANF sempre esteve contra a medida, alegando
que as farmácias são a maior rede de acesso de medicamentos aos utentes.
"Os preços dos medicamentos vendidos nas farmácias baixaram 30%,
enquanto fora destes estabelecimentos aumentaram 12%", acrescentou.
A
venda de Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) para uso
humano fora das farmácias foi permitida com a publicação de um
decreto-lei de 2005 que entrou em vigor em Setembro desse ano.
Dados
da autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed), indicam
que actualmente existem 1035 locais de venda destes fármacos
autorizados. Por número de embalagens, as substâncias activas mais
vendidas nestes espaços são o paracetamol (15%), o ibuprofeno (5%), o
diclofenac (5%), a clorofenamina com o paracetamol (4%) e o dexpantenol
(3%). As restantes substâncias representam 68% das embalagens vendidas.
Questionado
sobre o preço dos medicamentos vendidos fora das farmácias, o Infarmed
referiu que os fármacos "cuja comercialização pode ser efectuada fora
das farmácias estão sujeitos ao regime de preços livre, cabendo ao local
que os vende estabelecer esse preço". "Uma vez que o preço pode variar
relativamente ao mesmo produto de estabelecimento para estabelecimento,
não existem dados objectivos e concretos que permitam concluir que o
preço destes produtos seja mais barato ou mais caro nas farmácias ou nos
locais de venda de MNSRM", contrapõe o Infarmed.
A ANF defende
que a legislação que agora assinala dez anos seja "revisitada", tendo em
conta que as vantagens inicialmente anunciadas não se concretizaram. "É
necessário revisitá-la para levar a um aumento tecnicamente sustentado
da concorrência e â melhoria do acesso", afirmou Humberto Martins.Fonte: Público.pt
SNS gastou 2136 milhões de euros em 2013 com remédios
2014-10-03 Por Pedro Barata Coelho *
O medicamento tem acompanhado o homem desde os seus primórdios na
sua constante busca pela cura dos seus males, de mais saúde ou de mais
juventude. Tal como a humanidade também o medicamento evoluiu , quer em
termos de complexidade, quer em termos de exigência, de eficácia e de
segurança.
* Membro da direção da Ordem dos Farmacêuticos,
farmaceutico do Centro Hospitalar de S João; professor da Universidade
Fernando Pessoa
Os medicamentos são parte
fundamental da equação que permitiu obter uma sociedade com uma
esperança e uma qualidade média de vida bastante superior à do inicio do
século passado, mas, como tudo não estão isentos de problemas e efeitos
nefastos.
Pedro Barata Coelho
Importa conhecer bem os efeitos dos medicamentos e gerir a sua
eficácia terapêutica, em especial quando vários são utilizados em
simultâneo, interagindo entre si e com os alimentos ingeridos, causando
alterações nos seus efeitos e mesmo reacções inesperadas.
Importa também compreender o custo do medicamento, saber avalia-lo bem
de forma cientificamente robusta e validada, para poder tomar a melhor
decisão, quer para o doente quer para a sociedade.
O Sistema
Nacional de Saúde, apenas em 2013, gastou 2136 milhões de euros,
exclusivamente com o medicamento. Não se discute o valor mas chama-se à
atenção que o esforço financeiro despendido deve ser rentabilizado.
Estima-se que 50% dos cidadãos não tomam correctamente os seus
medicamentos. Os problemas de aderência à terapêutica são bem conhecidos
e com gravosas consequências para a saúde e finanças públicas.
A
responsabilidade do uso adequado dos medicamentos é de todos, é
universal, de médicos, farmacêuticos, enfermeiros, gestores, de todos os
cidadãos.
Com vista a sensibilizar para este problema, a Ordem dos Farmacêuticos lançou a campanha “Uso do medicamento – Somos todos responsáveis” onde todos poderão encontrar informações muito relevantes e poderão prestar a sua colaboração.
O esforço financeiro despendido deve ser rentabilizado
Urgem mais estudos sobre formas de promover o uso responsável do
medicamento, melhorar a adesão terapêutica, reduzir os gastos na rubrica
medicamento sem diminuir a qualidade do serviço prestado. Importa
também avaliar correctamente os efeitos e os reais custos das
intervenções terapêuticas implementadas.
Muito tem sido feito
nos últimos anos mas ainda há muito para fazer. Os farmacêuticos
lançaram a campanha e vão assumir as suas responsabilidades mas este é
um problema transversal que só uma resposta global por parte da
sociedade pode ajudar a resolver.
A Ordem dos Farmacêuticos (OF) criou uma plataforma online
para ajudar os profissionais desempregados a encontrar trabalho no
sector. Lançada na semana passada, a “bolsa de oportunidades” incluía já
no primeiro dia perfis de duas centenas de candidatos e 20 entidades
interessadas em recrutar com propostas de trabalho ou de estágios,
avança o jornal Público.
De acesso exclusivo aos membros da OF, esta plataforma virtual
permite que os farmacêuticos criem o seu perfil profissional que fica
assim disponível para os empregadores, e que, simultaneamente, procurem
ofertas de emprego. Além de oportunidades de trabalho nos vários
sectores de actividade (farmácias, indústria farmacêutica, investigação,
análises clínicas e distribuição), a plataforma pretende incluir
informação sobre estágios profissionais, prémios e bolsas.
O objectivo é ajudar a dar resposta ao crescente problema de
desemprego na profissão. Dados do Observatório de Empregabilidade do
Sector Farmacêuticos da OF e do Instituto de Emprego e Formação
Profissional (IEFP) “denotam aumento do desemprego e emigração entre
profissionais do sector, além de dificuldade crescente no acesso ao
primeiro emprego”, explica a OF, em comunicado.
Entre 2012 e 2013, o IEFP registou um aumento de 35% no número de
indivíduos habilitados com o curso de Ciências Farmacêuticas inscritos
no instituto (cerca de 1400). Neste período observou-se também um
aumento de 155% no número de farmacêuticos que comunicaram à OF a
situação de desemprego ou a intenção de emigrar. Perto de três centenas
pediram a suspensão da inscrição ou declarações para pedirem a
equivalência do curso noutros países, um número que os responsáveis da
ordem acreditam não espelhar a realidade porque há profissionais que
emigram sem comunicar a saída.
“Até há três ou quatro anos, não havia registo de problemas de emprego
no nosso sector (…).A grave crise económica e financeira em que o nosso
país se viu mergulhado não o deixou incólume”, justifica o bastonário da
OF, Carlos Maurício Barbosa. Em Portugal há cerca de 14 mil
farmacêuticos.
Os gastos anuais com saúde são de 180 mil milhões de dólares e o investimento total na região é de 2,9% do PIB
Antes
de falar sobre qualquer assunto da América Latina é preciso recordar:
este conjunto de países que representa perto de 600 milhões de
habitantes - que partilham vínculos geográficos, linguísticos, culturais
e comportamentais - registou, entre 2000 e 2012, um crescimento
económico médio anual de 5%, tem uma população jovem e com uma taxa de
desigualdades sociais cada vez menor, classes médias em plena expansão e
com maior poder de consumo e tem conhecido um desenvolvimento notável
em termos de segurança, modernização das estruturas produtivas e
amadurecimento das instituições democráticas.
Tendo estes pontos bem assentes, podemos focar-nos numa das áreas que
mais potencialidade de negócios oferecem às empresas portuguesas: o
sector farmacêutico.
O mercado farmacêutico na América Latina estava avaliado em 2012 em
63 mil milhões de dólares. Entre 2009 e 2019, estima-se que o consumo per capita
passará de 77 para 129 dólares. Os gastos com saúde são de 180 mil
milhões de dólares anuais e o investimento total na região é de 2,9% do
PIB. A expectativa média de vida é de 75 anos e as vendas totais de
produtos farmacêuticos totalizaram, no último ano, 50 mil milhões de
dólares.
É também verdade que este mercado apresenta dificuldades e perguntas
difíceis de responder, sobretudo no que diz respeito à heterogeneidade
legislativa: como se faz a certificação de um produto, como se faz a sua
adaptação aos climas tropicais, se Portugal está incluído nos países de
referência de cada Estado, se existem MOU com as autoridades oficiais
de cada país, quais são os procedimentos regulamentares para introdução
de medicamentos no mercado, qual a legislação que regulamenta a
comercialização e a importação de dispositivos médicos, qual a política
fiscal e alfandegária, entre tantas outras. Parece uma tarefa hercúlea
mas nenhuma destas questões tem impedido as farmacêuticas portuguesas de
conquistarem estes mercados, com tal êxito que hoje em dia já se
tornaram fundamentais para a sua facturação.
No Fórum Empresarial "Medicamento e Produtos de Saúde", organizado
recentemente pelo IPDAL e pela Ordem dos Farmacêuticos, a esmagadora
maioria das empresas presentes já exportava ou inclusivamente já tinha
operações montadas no terreno, em vários países da América Latina.
Estiveram
reunidas as 14 principais farmacêuticas nacionais com os embaixadores
da América Latina acreditados em Portugal numa sessão de esclarecimento
mútuo sobre as oportunidades que cada um oferece. Nas palavras do
presidente da AICEP, que encerrou os trabalhos, vão ser as empresas que
representam este cluster, que, por estarem a lograr conquistas e
crescimento em contraciclo com o resto da economia, irão ajudar o país a
dar a volta à situação em que se encontra actualmente. Para Pedro Reis,
o IPDAL e a Ordem dos Farmacêuticos conseguiram reunir "duas
prioridades do governo de Portugal: a América Latina e a indústria
farmacêutica".
Secretário-geral do Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina
Pedido quer alteração das regras para a fixação do preço dos genéricos de modo a evitar diferenças. Por Correio da Manhã
A Ordem dos Médicos denunciou, esta terça-feira, "mais um caso"
de substituição de prescrições de medicamentos nas farmácias e apelou
para a alteração das regras para a fixação do preço dos genéricos para
evitar diferenças.
Num anúncio publicado hoje no Correio da Manhã, a
Ordem dos Médicos (OM) adianta que um médico prescreveu a um doente no
dia 18 de julho dois medicamentos: o Atorvastatina (do Laboratório
Azevedos) e Perindopril + Indapamida 4 (do laboratório Ciclum), que
custam 4,54 euros e 5,70 euros, respetivamente.De acordo com a OM, a
receita foi bloqueada pelo médico com a exceção c) em ambos os
medicamentos, a justificação legal para permitir ao doente manter as
mesmas marcas em medicação crónica, evitando confusões, e para ter
direito à medicação mais barata.
Contudo, a farmácia "alterou para marcas
mais caras", cujos preços variavam entre os 4,54 e 11,45 euros no caso
do atorvastina e entre os 5,70 e os 12,55 euros quanto ao Perindopril +
Indapamida."A diferença dos medicamentos mais caros dispensados pela
farmácia constitui um encargo adicional para o doente de cerca de mais
14 euros/mês. Para os doentes que tomam mais de dois medicamentos por
mês o prejuízo é muito superior", refere a OM no comunicado.
Por isso, a
OM apela "à alteração das regras para a fixação do preço dos genéricos,
evitando diferenças brutais de preços, e à correção da legislação que
permite às farmácias enganar os doentes, dispensando medicamentos mais
caros do que os prescritos pelo médico".
O
ministro da Saúde Paulo Macedo considera que as trocas de medicamentos
nas farmácias "são intoleráveis. Temos de garantir que a prescrição seja
cumprida", refere, reagindo a um conjunto de denúncias feito pela Ordem
dos Médicos. À margem de uma conferência no Infarmed, ressalvou, no
entanto, que "não se irá alterar a lei. Temos é de garantir que a lei
atual é cumprida.
No
final de junho, o DN noticiou que já tinham sido enviadas ao Infarmed
mais de uma dezena de denúncias de trocas irregulares, algumas já a ser
investigadas pelo Infarmed. Uma delas envolvia mesmo a troca de um
remédio por outro distinto a uma doente com 90 anos que estava a ser
tratada por ter colesterol alto.
A Ordem dos Médicos denunciou 17
casos, que o Infarmed confirmou existirem e estarem a ser investigadas.
Cinco delas foram já arquivadas, oito estão à espera de informações
adicionais, três a ser averiguadas e uma deu já origem a um processo de
contraordenação por ter efetivamente havido uma troca irregular.
Eurico
Castro Alves, presidente do Infarmed, disse aos jornalistas que "muito
antes deste anúncio já tinham sido tomadas medidas concretas.
Inclusivamente criámos um endereço de email para notificar situações
irregulares E apelamos aos médicos e às pessoas para que notifiquem".
Além
desta linha, foi iniciada a um de setembro uma inspeção "a mais de 300
farmácias do País. Paulo Macedo refere que esta investigação servirá
para avaliar "se estamos perante a existência de casos pontuais ou se
são mais abrangentes".
Até agora, acrescenta Eurico Castro Alves,
"temos vistos que a maioria das farmácias estão a cumprir as regras,
incluindo a dispensa de medicamentos no prazo legal das 12 horas"
O aumento da quota de
genéricos no mercado, que foi o tema desta conferência, é também um dos
grandes objetivos do ministro, que tencionar alcançar uma quota de 45%
no final deste ano. Paulo Macedo disse que estão a ser criados
mecanismos para incentivar ainda mais a prescrição e dispensa de
genéricos no mercado.
Um despacho publicado nesta sexta-feira, e que dá cumprimento a uma
decisão judicial, elimina das receitas médicas o campo onde o doente
poderia declarar a intenção de pretender, ou não, exercer o direito de
opção por um medicamento mais barato.
O despacho do Ministério da
Saúde, que entra em vigor no sábado, surge depois de a Ordem dos
Farmacêuticos (OF) ter apresentado uma queixa no Ministério Público, a
contestar o referido campo nos atuais modelos de receita médica.
A
OF relembra, em comunicado hoje divulgado, que a inquirição ao utente,
por parte do médico, sobre a opção, ou não, por um medicamento mais
barato - genérico - «vem limitar a liberdade do doente no livre
exercício desse mesmo direito de opção, que deve ser exercido perante o
farmacêutico, no momento da dispensa, e não perante o médico, no momento
da prescrição».
O diploma, assinado pelo secretário de Estado da
Saúde, Manuel Teixeira, apenas produz efeitos pelo período de vigência
da providência cautelar do Tribunal Administrativo de Lisboa, decretada
no seguimento da queixa da OF, «sem prejuízo do que vier a ser decidido
na ação principal».
Até à impressão de novo modelos de receitas
médicas, com as alterações, «considera-se eliminado o campo relativo à
pretensão de exercício do direito de opção pelo utente, na frente dos
modelos de receita médica aprovados» no ano passado, «e como não escrita
qualquer menção ou inscrição que conste do campo».
O diploma
precisa que a pré-impressão e materialização de receitas, a partir de 1
de novembro, respeitam já as alterações, «sem prejuízo da utilização e
validade das receitas produzidas até essa data».
O despacho
assinala que dá cumprimento a uma decisão judicial, embora «criando
condições para a necessária adaptação dos sistemas informáticos de apoio
à prescrição, bem como para a impressão pela Imprensa Nacional-Casa da
Moeda de receitas sem o referido campo, e para o escoamento das que já
se encontram impressas e ainda não tenham sido utilizadas».
Doentes devem poder optar pelo medicamento que compram na presença do farmacêutico, não do médico.
As actuais receitas médicas vão ter que ser alteradas a partir de 1
de Novembro, depois de a Ordem dos Farmacêuticos (OF) ter questionado o
modelo em vigor, por obrigar os doentes que pretendem exercer direito de
opção sobre os medicamentos que compram na farmácia a pronunciar-se no
momento da consulta, na presença do médico.
O despacho do secretário de
Estado da Saúde que determina a alteração dos modelos de receita médica
em circulação - e que esta sexta-feira foi publicado no Diário da
República -, surge após a providência cautelar do Tribunal
Administrativo do Círculo de Lisboa que suspendeu a eficácia dos modelos
de receita actuais devido à inclusão, nas receitas, de um campo que
permite o exercício do direito de opção ao utente no momento da
prescrição médica.
Foi a OF que deu início a este processo, ao
apresentar um requerimento ao Ministério Público (MP) em que considera
ilegal a existência deste campo “a preencher pelo médico, mas com a
assinatura do doente”. O MP deu razão à OF e remeteu um pedido de
providência cautelar ao tribunal administrativo, que o aceitou.
Os
pacientes podem escolher entre os medicamentos que têm a mesma
substância activa, optando por remédios mais baratos, mas, na prática, a
existência deste campo “condicionava-lhes a decisão”, explica o
bastonário da OF, Maurício Barbosa.
Há, justifica, uma “assimetria
da relação médico/doente”. A OF defendeu, desde o início, que a
“inquirição ao doente, por parte do médico, vem limitar a liberdade” do
exercício do direito de opção, que deve ter lugar “perante o
farmacêutico, no momento da dispensa”.
Até à substituição das
receitas actuais, considera-se, já a partir de sábado (data da entrada
em vigor do despacho), “eliminado o campo relativo ao exercício do
direito de opção pelo utente, na frente da receita médica” ou “como não
escrita qualquer menção ou inscrição que conste do referido campo”.
A Polícia Judiciária (PJ), desmantelou uma rede de
sete pessoas, da qual faziam parte médicos, farmacêuticos, delegados de
propaganda médica e um empresário de distribuição, que, alegadamente,
falsificava receitas de alguns medicamentos, lesando assim o Estado em
milhares de euros, explica o Diário de Notícias (DN) de hoje.
Dos sete detidos, pela PJ, por suspeita de burla ao Serviço Nacional
de Saúde (SNS) fazem parte três médicos, dois farmacêuticos, um delegado
de propaganda médica e um empresário de distribuição, com idades entre
os 30 e os 60 anos.
Ao que a esta força policial apurou, os suspeitos emitiam receitas
falsas, com o uso indevido de nomes de alguns utentes do SNS cujos
medicamentos, depois de comparticipados, voltavam a ser introduzidos no
mercado ou enviados para outros países. Dos três clínicos, alguns estão
acusados de terem passado 200 mil euros em receitas para apenas um
medicamento.
Segundo o inspector da PJ Afonso Sales, em declarações ao DN, o esquema lesou o Estado em milhares de euros.
A acção que levou ao desmantelamento deste mesmo esquema, intitulada
‘Operação Prescrição de risco’, já se realizava há três anos, e contou
com 24 buscas na Grande Lisboa, zonas Centro e Norte do País.
Estes sete suspeitos juntaram-se aos 18 detidos em Junho, e aos 252
arguidos de 2012, todos suspeitos de associação criminosa e fraude, com
prejuízo total de mais de 25 milhões de euros.
O regime de prescrição de medicamentos, modelos de receita médica e
condições de dispensa foi alterado. As novas regras começam a aplicar-se
hoje, depois de publicada a portaria que determina o fim da separação das receitas para efeitos da adequada monitorização pelas Comissões de Farmácia e Terapêutica (CFT) das Administrações Regionais de Saúde (ARS).
Com a implementação da prescrição e dispensa por Denominação Comum Internacional (DCI),
a desmaterialização do circuito de prescrição e a generalização do uso
de genéricos, o Ministério da Saúde decidiu facilitar a conferência de
medicamentos dispensados nas farmácias.
O governo aprovou hoje uma lista com 17 medicamentos, entre os quais o
“campeão de venda” ibuprofeno, que só poderão ser vendidos em
farmácias, apesar de não serem de prescrição médica obrigatória.
Segundo a “Lusa”, o diploma hoje aprovado cria uma «subcategoria de
medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM) que, atendendo ao seu
perfil de segurança ou às suas indicações, apenas podem ser dispensados
em farmácia».
Nesta subcategoria constam 17 MNSRM, como o
ibuprofeno (400), para a dor reumática e muscular, dores nas costas,
neuralgia, enxaqueca, dor de cabeça, dentes, dismenorreia, febre,
sintomas de constipação e gripe.
Constam igualmente o ácido
salicílico + fluorouracilo (para verrugas e queratoses solares) e a
aminofilina (para broncoespasmo associado à asma, a doença pulmonar e
bronquite crónicas, a hipertrofia ventricular esquerda e a insuficiência
cardíaca congestiva).
A amorolfina (para casos ligeiros de
onicomicoses), o gás medicinal comprimido e o cetoprofeno (para dor
reumática e dor muscular) e a cianocobalamina (para prevenção de estados
carenciais de vitamina B12) também fazem parte desta lista.
Dos
17 medicamentos consta ainda a hidrocortisona (para dermatite irritante,
dermatite de contacto alérgica, reações a mordidas de insetos e eczema)
e a lidocaína + prilocaína (anestesia tópica).
paracetamol +
codeína + buclizina (enxaquecas, incluindo crises de cefaleias, náuseas e
vómitos) e a teofilina (no alívio e prevenção de sintomas da asma e do
broncoespasmo também estão nesta lista.
O governo justifica a
criação desta subcategoria de medicamentos com «a evolução do Sistema
Europeu de Avaliação de Medicamentos, que aconselha a introdução desta
nova categoria».
Esta medida é aplaudida pela Ordem dos
Farmacêuticos, que defende «há muito» a consagração legal da chamada
“terceira lista” de MNSRM.
«O conjunto de medicamentos disponíveis
em Portugal fora das farmácias tem vindo a alargar-se muito
significativamente e inclui fármacos de uso prolongado ou que contêm
substâncias ativas que, pela sua natureza, perfil de segurança ou pelas
suas indicações terapêuticas, exigem aconselhamento e acompanhamento
farmacêutico», lê-se num comunicado deste organismo.
A Ordem
concorda com o projeto – do qual teve conhecimento através do secretário
de Estado da Saúde que o submeteu à apreciação deste organismo – e
lembra que «entre os 12 estados-membros (do total de 27) em que os MNSRM
estão disponíveis fora das farmácias, somente em Portugal, Itália,
Bulgária e Roménia ainda não está instituída uma “terceira lista”».
O Observatório de Interações
Planta-Medicamento (OIMP/FFUC) lança hoje uma campanha para sensibilizar
a população dos riscos que corre ao consumir medicamentos com produtos
naturais, como chás, suplementos ou até alimentos, combinações que
nalguns casos podem conduzir à morte.
"É fundamental que o consumidor conheça os vários tipos de produtos
disponíveis no mercado, o que contêm, para que servem, e o risco que
pode correr quando os consome", disse à agência Lusa a coordenadora do
Observatório, da Universidade de Coimbra, que estuda as interações
planta-medicamento "mais frequentes e preocupantes" que ocorrem em
Portugal para ajudar a preveni-las.
A leitura dos rótulos é essencial: "Se o produto estiver dentro da lei"
dispõe a informação necessária para ajudar o consumidor a não correr
riscos, explicou Maria da Graça Campos.
O aumento do número de relatos de casos, incluindo mortes, em que
surgiram estas interações tem acompanhado o recente crescimento do
consumo destes produtos.
"Muitos destes produtos são vendidos para uso terapêutico como se fossem
suplementos alimentares, o que é absolutamente aberrante dado que não
suplementam nada e ainda podem colocar em risco a vida dos doentes",
alertou.
Nos últimos 15 anos, "a expansão no consumo" destes produtos sofreu "um
enorme implemento", alegando-se os benefícios da medicina tradicional.
"A verdade é que se criou um negócio bilionário à volta desta ideia, que
foge ao controlo rigoroso de eficácia e segurança", criticou a
investigadora, afirmando que é preciso combater o mito de que "os
produtos naturais não fazem mal".
Convencidas de que o que é "natural é bom", as pessoas "compram indiscriminadamente" tudo o que lhes propõem.
"Enquanto não houve internet, a ciência estava razoavelmente controlada e
a investigação de plantas com elevado potencial terapêutico pertencia
apenas a quem dominava esses conteúdos. Hoje, qualquer pessoa acede às
bases de dados mundiais e encontra milhões de artigos a referirem esta
ou aquela planta com potencial para poder vir a ser desenvolvido um novo
medicamento", advertiu.
Contudo, não sabem que os constituintes ativos da planta induzem mais efeitos indesejáveis do que possíveis benefícios.
"O que o público não sabe é que a eficácia [destes produtos], na maior
parte das vezes, não foi provada, que o controlo de qualidade é nulo e
que, por vezes, vêm adicionados de medicamentos contrafeitos, que podem
ainda vir contaminados com substâncias altamente tóxicas", alertou Graça
Campos.
Tal como noutros países, existe em Portugal "uma indústria paralela
profícua que prescreve ervinhas (em comprimidos ou não) para tratar
doentes seja qual for a doença" a preços elevados, disse Graça Campos.
A investigadora deu exemplos de plantas que interagem com os
medicamentos, como as fibras da alimentação, ou suplementos que as
contenham em grande quantidade, que podem diminuir a absorção de alguns
fármacos, como os antidiabéticos orais.
Também o chá verde, o guaraná ou a erva-mate, que possuem uma grande
quantidade de cafeína, estimulante do sistema nervoso central, estão
contraindicados em casos de hipertensão e perturbações de ansiedade.
"Quem estiver a tomar, por exemplo, ansiolíticos e/ou antidepressivos pode vir a ter um efeito oposto", advertiu.
Doentes com hipertensão, se tomarem com a medicação outros
vasodilatadores como o Ginkgo ou folhas de oliveira podem sofrer quebras
bruscas de pressão arterial e desmaios.
Estas e outras interações serão explicadas ao longo de cinco semanas nos
Media, através desta campanha, que tem quatro públicos-alvo: os doentes
polimedicados, a população saudável que usa suplementos, os
adolescentes/drogas/"smart drugs" e os doentes oncológicos.
Ministério
Público atribuiu aos dois arguidos, um farmacêutico e uma técnica de
farmácia, a responsabilidade na negligência que motivou a cegueira a
seis pessoas após cirurgias oftalmológicas no Hospital de Santa Maria,
em Lisboa, e, nas alegações finais do julgamento, pediu ao tribunal para
fazer justiça.
foto Jose Carlos Pratas / Global Imagens
Walter Bom, um dos doentes que ficou cego
O
julgamento de um farmacêutico e de uma técnica de farmácia, acusados de
seis crimes de ofensa à integridade física de forma negligente, no
processo do Hospital Santa Maria, teve início há 15 meses.
Em
causa, neste processo, estão seis pessoas que cegaram total ou
parcialmente depois de, a 17 de julho de 2009, terem sido submetidas a
injeções intraoculares, alegadamente com Avastin, no Hospital de Santa
Maria, em Lisboa.
Na acusação ao farmacêutico e à técnica de
farmácia, o Ministério Público considerou que houve troca de
medicamentos e que esta troca teria sido "provocada por falta de
cumprimento dos deveres impostos pelo manual de procedimentos".
A
defesa, por seu lado, alegou que, à data dos factos, não existia manual
de procedimentos na Unidade de Preparação dos Produtos Citotóxicos, e
denunciou a inexistência de supervisão e fiscalização dos profissionais
por ordens superiores e por falta de meios humanos na secção.
Ao
longo do julgamento ficou a saber-se que a Unidade de Produção de
Citotóxicos não tinha manual de procedimentos para a elaboração de
medicamentos, nem havia normas na rotulagem dos medicamentos.
Um manual de
procedimentos, contudo, foi enviado para o Infarmed depois dos seis
casos de cegueira, como sendo o manual que estava a ser utilizado à data
dos factos.
Ficou ainda a saber-se que os medicamentos eram
elaborados e ministrados segundo as orientações verbais da coordenadora
do serviço de produção de citotóxicos, e que não havia supervisão e
fiscalização dos profissionais que produziam os medicamentos por falta
de meios humanos.
Durante as audiências foram ouvidos
oftalmologistas que consideraram que a cegueira das seis pessoas terá
tido origem tóxica e que os pacientes foram inoculados com um
medicamento diferente do suposto - o Avastin (Bevacizumab).
Balanço do sistema informático de notificação de eventos adversos em instituições de saúde.
DGS implementou um sistema pedagógico e não punitivo Adriano Miranda
Cerca de 80 “erros médicos” ocorridos em hospitais e centros de saúde
foram registados nos primeiros três meses de funcionamento do sistema
informático de notificação de eventos adversos em instituições de saúde,
segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS).
Desde 28 de Dezembro está
disponível no site da DGS “sem interrupções ou falhas” um sistema que
permite registar anonimamente os eventos adversos que ocorrem em
instituições de saúde, para analisá-los e corrigi-los no futuro, sem
punir os médicos.
Alexandre Diniz, responsável pela área da
qualidade na DGS, revelou terem sido feitas até à data cerca de 80
notificações, as mais recorrentes das quais dizem respeito a
“comportamento”, “quedas” e “infecções associadas aos cuidados de
saúde”.
A inscrição dos hospitais e centros de saúde neste
sistema é voluntária e a notificação dos eventos adversos – vulgarmente
designados de “erros médicos” – é anónima, podendo ser feita pelo
profissional de saúde ou por um cidadão, pois o objectivo não é punir,
mas melhorar a segurança do doente e a qualidade dos serviços.
Segundo
Alexandre Diniz, “existem, neste momento, 11 instituições [de saúde]
que completaram o processo de criação do perfil de gestor local”.
Quanto
às sugestões de melhorias apresentadas, na sequência dos casos
notificados, o responsável afirmou não ter conhecimento, uma vez que “as
medidas são desenvolvidas internamente nas instituições e fora do
sistema de notificação, para garantia de total anonimato”.
O
responsável destacou que este sistema “promove uma cultura de actuação
pró-activa em relação aos perigos e riscos, permitindo um reforço da
actuação preventiva” e a criação de mais e melhores medidas para redução
dos danos.
Este sistema vai permitir perceber a dimensão da
ocorrência de eventos adversos nas instituições de saúde e, através da
sua análise, desenvolver planos para reduzir esses eventos nas
instituições.
Depois de devidamente analisadas e identificadas as
causas do evento é criada uma norma para corrigir o problema no sistema
de saúde.
Quando um profissional de saúde – seja médico,
enfermeiro ou farmacêutico – pretende fazer uma notificação de um evento
adverso, pode fazê-lo de duas formas.
Acede, no site da DGS, às
notificações de eventos adversos e pode notificar rapidamente com um
conjunto mínimo de dados essenciais ou preencher o formulário mais
completo, de dez páginas.
O gestor local (da instituição de saúde
onde se verificou a ocorrência) recebe imediatamente um e-mail a
informar que caiu a notificação no sistema e o notificador recebe um
código de acesso, para poder acompanhar mais tarde o que está a ser
feito no âmbito daquele processo.
Como este sistema é pedagógico e
não punitivo, pretende a responsabilização dos profissionais e das
instituições de saúde, não cabendo à DGS em altura alguma a verificação
ou supervisão.
Ou seja, se um gestor local decidir não fazer
nada, não dar andamento ao processo, na sequência da notificação que lhe
chega, a DGS não tem conhecimento disso e o processo morre ali.
A
notificação pode igualmente ser feita por um cidadão, por exemplo o
familiar de um doente vítima do evento adverso, devendo para isso
preencher um formulário no site da DGS semelhante ao que é preenchido
pelo profissional.
A partir daí, o processo é o mesmo: o gestor recebe a notificação e o cidadão, um código de acesso.
Cientistas no Instituto Karolinska, na Suécia, descobriram um novo tipo
de antibiótico capaz de combater infecções bacterianas graves. O
medicamento possui um novo mecanismo de acção baseado no bloqueio
selectivo do sistema tiorredoxina nas células, que é essencial para o
crescimento de certas bactérias. Os cientistas esperam ser capazes de
tratar condições como úlceras do estômago, tuberculose e MRSA
(Methicillin-resistant Staphylococcus aureus), avança o portal Isaúde.
"Ainda há muito trabalho a ser feito, mas acreditamos que será possível
usar esse mecanismo, quando, por exemplo, antibióticos de amplo
espectro não funcionarem", afirma o líder do estudo Arne Holmgren.
A pesquisa foi publicada no FASEB Journal.
O sistema tiorredoxina está presente em todas as células e é
fundamental para a capacidade de produzir novo ADN (material genético).
Também é importante para a protecção da célula de um processo conhecido
como stress oxidativo, que ocorre quando radicais de oxigénio em excesso
e outros agentes oxidantes são formados.
Isto pode ocorrer, por exemplo, durante o ataque de células brancas do
sangue às bactérias, que pode danificar ou matar a célula. Os
componentes mais importantes do sistema tiorredoxina são as enzimas e
tiorredoxina e tioredoxina redutase, das quais a primeira é necessária
no processo de criação de peças que dão origem ao novo ADN e a segunda
garante que a tioredoxina permaneça activa.
Em adição ao sistema tiorredoxina, mamíferos, seres humanos e algumas
bactérias têm um segundo processo bioquímico semelhante, que se baseia
na enzima glutarredoxina. O sistema tiorredoxina e o sistema
glutarredoxina agem como backup um do outro.
No entanto, muitas bactérias que causam a doença, como a Helicobacter
pylori, que causa úlceras, a Mycobacterium tuberculosis, que causa
tuberculose, e a bactéria Staphylococcus MRSA multirresistente, têm
apenas o sistema tiorredoxina.
Segundo os investigadores, isto faz com que estas bactérias sejam muito
vulneráveis a substâncias que inibem a tiorredoxina e a tioredoxina
redutase. "Além disso, as tiorredoxinas redutases em bactérias são muito
diferentes na composição química e na estrutura da enzima humana. E são
justamente essas diferenças, e o facto de que certas bactérias não têm o
sistema glutarredoxina, que sugerem que os fármacos que afectam a
tioredoxina redutase podem ser usados como antibióticos. Isto é o que
descobrimos", afirma Holmgren.
A equipa tem utilizado um candidato a fármaco conhecido como ebselen,
que foi previamente testado no tratamento de acidente vascular cerebral
(AVC) e de inflamação. Os cientistas descobriram que o ebselen e
substâncias sintéticas similares inibem, entre outras coisas, a
tioredoxina redutase em bactérias.
Os cientistas viram em experiências de laboratório como o ebselen matou
certos tipos de bactérias e outros não. Eles foram capazes de modificar
as propriedades genéticas de Escherichia coli (E. coli), que não são
normalmente susceptíveis a ebselen e, desta forma, investigar os
mecanismos subjacentes ao efeito antibiótico.
As bactérias que são resistentes a vários tipos diferentes de
antibióticos são problemas graves e extensos em todo o mundo. O método
de atacar bactérias impedindo a construção da sua parede celular, que
foi inventado quando a penicilina foi descoberta no início do século XX,
continua a ser utilizado. É por este motivo que a ciência busca
encontrar novas formas de combater doenças causadas por infecções
bacterianas.
Os cientistas que propuseram o artigo acreditam que o antibiótico com
novo princípio activo pode ser parte da solução. "É particularmente
interessante que MRSA e TB resistente a antibióticos também sejam
susceptíveis oa ebselen e novas substâncias sintéticas. E é interessante
notar que o ebselen é um antioxidante, como a vitamina C. Isso
significa que ele também protege o hospedeiro contra o stress
oxidativo", conclui Holmgren.
O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos disse hoje que são cada
vez mais os utentes que não conseguem aviar todos os medicamentos nas
farmácias, por dificuldades financeiras, tendo atribuído parte desta
situação a uma certa "libertinagem na prescrição".
"É uma situação triste que, muitas vezes, acontece
porque os médicos continuam a prescrever medicamentos caros em vez de
optarem pelos genéricos que são muito mais baratos", afirmou Carlos
Maurício.
Se os médicos prescrevessem mais genéricos, adiantou o
bastonário, muitos utentes poderiam adquirir fármacos praticamente sem
custos, uma vez que o seu preço baixou 58 por cento nos últimos dois
anos.
Às dificuldades financeiras dos utentes, alia-se a crise
que as farmácias atravessam e que impedem, em certos casos, a atribuição
de crédito como aconteceu durante décadas.
"A conta na farmácia é
uma coisa comum. Estes estabelecimentos têm financiado o sistema de
saúde durante anos e anos, mas agora estão numa situação de tal forma
grave que muitas vezes não podem adiantar os medicamentos aos utentes",
frisou.
Carlos Maurício diz que são frequentes os casos em que os
utentes escolhem alguns dos medicamentos prescritos pelos médicos por
não terem dinheiro para aviar toda a receita e que o farmacêutico
participa nesta escolha para minimizar os efeitos da falta de uma
receita completa.
O bastonário defende que o estado estabeleça
regras na prescrição, de forma a que não se prescrevam medicamentos
caros quando já existem mais baratos no mercado e "com a mesma
qualidade".
Para Carlos Maurício, as farmácias chegam ao final do
ano numa situação muito difícil, com muitas a fecharem por insolvência e
outras a pedirem um ano de suspensão do alvará.
"Por cada
farmácia que fecha, principalmente no interior, ficam milhares de
portugueses sem acesso ao medicamento e, mais que isso, ao
aconselhamento", disse.
Os médicos vão ser obrigados a justificar a prescrição de alguns
antibióticos, uma medida que o director-geral da Saúde justificou esta
terça-feira com a necessidade de se combater a resistência dos agentes
infecciosos a estes fármacos, que é “preocupante”.
“Estamos na iminência de poder não ter antibióticos activos contra as
bactérias e o exemplo mais preocupante é o da tuberculose”, disse
Francisco George à margem de um encontro sobre Infecção Associada aos
Cuidados de Saúde em Portugal.
A monitorização da dispensa de antibióticos já está em vigor em
alguns hospitais, como o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, e deverá
ser alargada a todas as unidades hospitalares do Serviço Nacional de
Saúde.
Na prática, quando um antibiótico for receitado para uma determinada
situação, em que não é considerado o mais adequado, ou durante demasiado
tempo, as comissões de controlo de infecção a funcionar nos hospitais
vão passar a questionar esta prescrição.
Francisco George transmitiu a sua preocupação com a questão das
resistências aos antibióticos, classificando-a mesmo como “um dos
grandes problemas em Portugal”. E apontou o dedo às administrações
hospitalares, que “não têm dado a devida importância à dimensão das
infecções e das resistências”.
“As comissões de infecção são pouco apoiadas pelas próprias administrações”, disse, advertindo: “Isto não pode ser”.
A mudança, disse ainda, passa precisamente pela “monitorização da
dispensa de antibióticos nas farmácias hospitalares”.“Os médicos vão ter
de dar explicações sobre esta prescrição”, adiantou.
Portugal é um dos países europeus com mais altas taxas de prescrição e
consumo de antibióticos e isso mesmo tem vindo a ser assinalado em
vários relatórios internacionais publicados nos últimos anos. O mais
recente surgiu no final de 2011, quando o Sistema Europeu de Vigilância
da Resistência aos Antimicrobianos colocou Portugal na 9.ª posição entre
os países da União Europeia com consumos mais elevados.
A própria Direcção-Geral da Saúde tem activo um Programa Nacional de
Prevenção das Resistências aos Antimicrobianos, que funciona como uma
espécie de “manual de boas práticas” de prescrição dirigido aos médicos
com dados sobre os tipos de infecção e de antibióticos adaptado à
realidade nacional.
O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Carlos Maurício
Barbosa, defendeu hoje à Lusa uma maior participação destes
profissionais na sociedade, nomeadamente nas doenças crónicas e nos
cuidados primários, pois "têm habilitações e formação".
"Os farmacêuticos podem ter uma maior participação, pois têm
competências e formação que lhes permite ter uma intervenção na
sociedade junto dos doentes crónicos, na área dos cuidados primários,
podendo haver ganhos em saúde para os portugueses quer do ponto de vista
clínico e humano, mas também de racionalização económica", afirmou o
bastonário.
O responsável fez estas declarações à Lusa á margem do Congresso
Nacional de Farmacêuticos que decorre desde sexta-feira em Lisboa, e
encerra hoje.
"O sistema de saúde deve contar mais com os farmacêuticos" cuja capacidade tem sido desperdiçada, rematou.
O ex-secretário de Estado da Saúde do Governo socialista Manuel Pizarro,
que participou hoje num debate no Congresso, disse à Lusa que "o
Governo está a por em causa o acesso dos portugueses aos medicamentos" e
referiu que há o risco de em 2013 serem encerradas "centenas de
farmácias".
"O Governo exagera nas medidas e vai além da `troika`", declarou,
defendendo "estabilidade para o setor" e desejando que o Governo
"dialogasse" com os farmacêuticos.
O deputado do PS referiu que durante o seu mandato no Executivo se promoveu uma atualização trimestral do preço dos genéricos.
"Agora que já reduziu em 50% o preço dos genéricos, será que se
justifica manter uma atualização trimestral, nós achamos que não",
disse.
O socialista defendeu ainda um aligeiramento de "certos regulamentos,
como horários, de modo a reduzir custos" das farmácias. Fora desta
proposta estão as "exigências técnicas", que devem ser mantidas.
Manuel Pizarro afirmou ainda que "se deve caminhar para o pagamento do ato farmacêutico".
João Semedo, do Bloco de Esquerda, que participou na mesma mesa redonda
que Pizarro, defendeu que "as próprias farmácias façam uma gestão que
reequilibre os seus custos".
"A estrutura de custos terá de evoluir", disse Semedo que alertou que
também "é preciso recompensar devidamente a importantíssima atividade
social e comunitária que as farmácias têm", disse.
"O sistema de remuneração das farmácias está desatualizado quer
relativamente ao serviço que prestam, quer às necessidades do seu
equilíbrio financeiro", disse o dirigente bloquista que apontou as
seguintes possibilidades para esse reequilíbrio: "alterar a proporção
das margens do custo do medicamento; alterar os escalões da
regressividade das taxas; ou colocar uma taxa fixa em função do
medicamento ou da receita".
Semedo afirmou à Lusa, o Bloco está preocupado com os "reflexos da atual
política do medicamento nas farmácias" e defendeu a remuneração do ato
farmacêutico, como contempla a terceira possibilidade, e que "é
praticada em muitos países da União Europeia e do resto do mundo".
O bloquista defendeu ainda que o Governo deve intervir na falta de
medicamentos que acontece no mercado nacional, uma situação que se deve à
baixa do preço do medicamento, o que "torna mais rentável, quer para o
produtor quer para o armazenista, vender esse medicamento para outros
países da União Europeia, e não tem depois medicamentos em quantidade
suficiente para abastecer a realidade nacional".
"Não aceitamos que se venda apenas lá fora porque se ganha mais e não se
abasteça o mercado de acordo com as necessidades dos doentes
portugueses", sentenciou.
Segundo dados revelados por Carlos Maurício Barbosa, há atualmente em
Portugal 9.000 farmacêuticos que trabalham em 2.900 farmácias,
"homogeneamente espalhadas pelo território nacional".
Portugal precisa de implementar uma política laboratorial de Biossegurança
2012-10-02
Por Susana Lage
Sofia Núncio
As
doenças infecciosas emergentes e reemergentes como a Sida, o vírus do
Nilo Ocidental, a pneumonia atípica (SARS), o vírus do Ébola ou a gripe
aviária têm vindo a aumentar no mundo nos últimos anos. Como exemplos
recentes há a nova estirpe de Escherichia coli e, no mês passado, a
identificação de um novo coronavírus. No entanto, é imprevisível saber
com antecedência qual ou quais as doenças que irão emergir em Portugal
num futuro próximo.
Segundo Sofia Núncio, mais importante do que saber quais as doenças que podem aparecer no país, “é
fundamental direccionar os esforços no reforço da vigilância, conhecer
os agentes que circulam, onde e qual o potencial impacto na Saúde
Pública”.
A investigadora da Unidade de Resposta a Emergências e Biopreparação do
Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, explica ao Ciência Hoje que os estudos realizados até ao momento indicam que “60
por cento das doenças emergentes são originárias de doenças animais
transmissíveis ao homem, como a brucelose. Muitas delas também estão
associadas a vectores como os mosquitos, carraças e roedores, tal como a
malária e os vírus hemorrágicos. Igualmente importantes são as doenças
emergentes devido ao aparecimento de mecanismos de resistências aos
antimicrobianos, que se devem principalmente à utilização crescente de
antibióticos, como são os casos da tuberculose resistente e da bactéria
E. coli”.
Diante este cenário, os mecanismos de vigilância, diz Sofia Núncio,
“permitem fazer o acompanhamento da situação e fornecer a informação às
autoridades competentes que devem actuar em conformidade e
atempadamente à situação detectada”.
Entre as medidas mais aconselháveis para uma abordagem abrangente das
doenças infeciosas que podem ser adoptadas em Portugal, a especialista
aponta a necessidade de “investir na formação contínua, na
organização de simulações que permitam melhorar a comunicação, a
coordenação e as capacidades de todas as autoridades e profissionais de
saúde, nomeadamente, médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório,
veterinários, técnicos de saúde pública, forças de segurança e
intervenção, entre outros”.
Práticas implementadas noutros países são importantes para abordagem das doenças infecciosas
Adoptar novas práticas
Para debater os assuntos relacionados com Biossegurança e Doenças
Infeciosas emergentes e reemergentes, partilhar conhecimentos e
experiências seguindo as orientações europeias, o Instituto Nacional de
Saúde Doutor Ricardo Jorge organizou para o próximo dia 29, o II
Workshop «Biossegurança: Doenças Infeciosas, uma potencial ameaça
biológica».
O principal objetivo do encontro é contribuir para a implementação de uma política laboratorial de Biossegurança em Portugal.
A iniciativa vai dar especial ênfase à adopção de práticas implementadas
noutros países, fundamentais para uma abordagem abrangente das doenças
infecciosas emergentes e reemergentes. Serão ainda divulgadas as
primeiras etapas alcançadas pela Rede Laboratorial Portuguesa de
Biossegurança (Lab-PTBioNet), criada no decorrer do I Workshop
«Biossegurança: Situação em Portugal», realizado o ano passado.
“Até à data foi possível integrar quase todas as Instituições
Portuguesas com laboratórios BSL‑3; conhecer o número de laboratórios
BSL–3 em Portugal e quais as suas valências; criar um inventário dos
agentes infecciosos, linhas celulares, entre outros, que cada
laboratório dispõe; iniciar a elaboração do Manual de Biossegurança
uniformizado para todos os laboratórios; e organizar anualmente um
Workshop sobre Biossegurança que contribuiu para a disseminação do
conhecimento científico nesta área”, avança Sofia Núncio referindo-se às primeiras etapas alcançadas pela Lab-PTBioNet.
223
929 assinaturas. Foi este o número anunciado por João Cordeiro, no
Campo Pequeno, no discurso final da aula magna que juntou esta tarde
cerca de 4.500 farmacêuticos e estudantes. Assinaturas da petição
"Farmácias de Luto" que o presidente da Associação Nacional de Farmácias
(ANF) entregou no Ministério da Saúde.
"Este
é um setor que tem vindo a ser destruído por medidas sem avaliação. É
bom lembrar que não foram os hospitais e as instituições geridas pelo
Ministério daSaúde que reduziram os gastos", disse João Cordeiro, sempre
acompanhado de salvas de palmas.
Entre as várias medidas
pedidas, uma destacou-se pela sua "emergência": "o alargamento do prazo
de pagamento das farmácias de 30 para 90 dias", pediu o presidente da
ANF. Farmacêuticos e estudantes - nas palavras de JoãoCordeiro 6000 e em
vez dos 4.500 inicialmente estimados - seguiram para o Ministério
daSaúde, a poucos quarteirões de distância.
"Estou aqui contra o
descrédito de uma profissão pela qual lutámos. Sentimos muitas
dificuldades para dar resposta à população. Mas enquanto houver um
medicamento para dispensar estaremos de portas abertas", disse ao DN
Maria João Abreu, farmacêutica há 25 anos. Como tantos outros, sentiu
uma redução de ordenado e vive com angustia a degradação das condições
financeiras da farmácia. "Existe um risco real da farmácia fechar. O
ministério tem de aceitar discutir as nossas propostas".
Bandeiras
negras e cartazes, ao som de uma buzina, assinalaram a marcha que parou
frente ao ministério. Na frente, Miguel Couto, 30 anos e cinco como
farmacêutico, mostrava a sua indignação. "Cada vez menos o Governo dá
condições às farmácias para desenvolverem o seu trabalho. Temos muitas
dificuldades. Custos fixos que não são cobertos. Há postos de trabalho
em causa. A única coisa que pedimos é nos deixem de trabalhar".
Miguel
admite que o estrangeiro poderá ser uma solução no futuro, caso fique
sem trabalho. O mesmo equaciona Rita Diniz, 24 anos e finalista do curso
de farmácia. "Escolhi este curso por gosto. Quando entrei não havia
problema de emprego. Agora, será o trabalho que conseguir arranjar. Não
há nada garantido. É pelo desemprego e pelo acesso aos medicamentos por
parte dos doentes que estou aqui a manifestar-me. Estou a colocar
seriamente a hipótese de ir para o estrangeiro. E colegas meus também.
Inglaterra ainda é um país que ainda tem as portas abertas", lamentou.