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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Medicamentos sem receita já são vendidos fora das farmácias há dez anos

Associação Nacional de Farmácias defende que é altura de rever a legislação.
Segundo a ANF, o consumidor está a pagar mais fora das farmácias PEDRO VILELA 
 
Há dez anos que os medicamentos sem receita médica podem ser vendidos fora das farmácias, mas estas consideram que as grandes vantagens anunciadas para a medida nunca se concretizaram.
 
"O preço dos medicamentos vendidos fora das farmácias aumentou 12% e apenas três cadeias de distribuição detêm 80% do mercado destes medicamentos, vendidos fora das farmácias", disse à Lusa o director da área profissional da Associação Nacional de Farmácias (ANF). Para Humberto Martins, estas duas situações demonstram que "as principais vantagens da medida não se concretizaram: a baixa de preço e a melhoria do acesso".
 A ANF sempre esteve contra a medida, alegando que as farmácias são a maior rede de acesso de medicamentos aos utentes. "Os preços dos medicamentos vendidos nas farmácias baixaram 30%, enquanto fora destes estabelecimentos aumentaram 12%", acrescentou.
A venda de Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) para uso humano fora das farmácias foi permitida com a publicação de um decreto-lei de 2005 que entrou em vigor em Setembro desse ano.

Dados da autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed), indicam que actualmente existem 1035 locais de venda destes fármacos autorizados. Por número de embalagens, as substâncias activas mais vendidas nestes espaços são o paracetamol (15%), o ibuprofeno (5%), o diclofenac (5%), a clorofenamina com o paracetamol (4%) e o dexpantenol (3%). As restantes substâncias representam 68% das embalagens vendidas.

Questionado sobre o preço dos medicamentos vendidos fora das farmácias, o Infarmed referiu que os fármacos "cuja comercialização pode ser efectuada fora das farmácias estão sujeitos ao regime de preços livre, cabendo ao local que os vende estabelecer esse preço". "Uma vez que o preço pode variar relativamente ao mesmo produto de estabelecimento para estabelecimento, não existem dados objectivos e concretos que permitam concluir que o preço destes produtos seja mais barato ou mais caro nas farmácias ou nos locais de venda de MNSRM", contrapõe o Infarmed.

A ANF defende que a legislação que agora assinala dez anos seja "revisitada", tendo em conta que as vantagens inicialmente anunciadas não se concretizaram. "É necessário revisitá-la para levar a um aumento tecnicamente sustentado da concorrência e â melhoria do acesso", afirmou Humberto Martins.
 
Fonte: Público.pt

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Cinquenta por cento dos portugueses não tomam correctamente os medicamentos

SNS gastou 2136 milhões de euros em 2013 com remédios

2014-10-03 Por Pedro Barata Coelho *
 
O medicamento tem acompanhado o homem desde os seus primórdios na sua constante busca pela cura dos seus males, de mais saúde ou de mais juventude. Tal como a humanidade também o medicamento evoluiu , quer em termos de complexidade, quer em termos de exigência, de eficácia e de segurança.

* Membro da direção da Ordem dos Farmacêuticos, farmaceutico do Centro Hospitalar de S João; professor da Universidade Fernando Pessoa

Os medicamentos são parte fundamental da equação que permitiu obter uma sociedade com uma esperança e uma qualidade média de vida bastante superior à do inicio do século passado, mas, como tudo não estão isentos de problemas e efeitos nefastos.
Pedro Barata Coelho
Pedro Barata Coelho
Importa conhecer bem os efeitos dos medicamentos e gerir a sua eficácia terapêutica, em especial quando vários são utilizados em simultâneo, interagindo entre si e com os alimentos ingeridos, causando alterações nos seus efeitos e mesmo reacções inesperadas.

Importa também compreender o custo do medicamento, saber avalia-lo bem de forma cientificamente robusta e validada, para poder tomar a melhor decisão, quer para o doente quer para a sociedade.

O Sistema Nacional de Saúde, apenas em 2013, gastou 2136 milhões de euros, exclusivamente com o medicamento. Não se discute o valor mas chama-se à atenção que o esforço financeiro despendido deve ser rentabilizado. Estima-se que 50% dos cidadãos não tomam correctamente os seus medicamentos. Os problemas de aderência à terapêutica são bem conhecidos e com gravosas consequências para a saúde e finanças públicas.

A responsabilidade do uso adequado dos medicamentos é de todos, é universal, de médicos, farmacêuticos, enfermeiros, gestores, de todos os cidadãos.

Com vista a sensibilizar para este problema, a Ordem dos Farmacêuticos lançou a campanha “Uso do medicamento – Somos todos responsáveis”  onde todos poderão encontrar informações muito relevantes e poderão prestar a sua colaboração.
O esforço financeiro despendido deve ser rentabilizado
O esforço financeiro despendido deve ser rentabilizado
 
Urgem mais estudos sobre formas de promover o uso responsável do medicamento, melhorar a adesão terapêutica, reduzir os gastos na rubrica medicamento sem diminuir a qualidade do serviço prestado. Importa também avaliar correctamente os efeitos e os reais custos das intervenções terapêuticas implementadas.

Muito tem sido feito nos últimos anos mas ainda há muito para fazer. Os farmacêuticos lançaram a campanha e vão assumir as suas responsabilidades mas este é um problema transversal que só uma resposta global por parte da sociedade pode ajudar a resolver.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=59342&op=all
 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Farmacêuticos têm bolsa de emprego online

28/04/2014 - 08:24

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) criou uma plataforma online para ajudar os profissionais desempregados a encontrar trabalho no sector. Lançada na semana passada, a “bolsa de oportunidades” incluía já no primeiro dia perfis de duas centenas de candidatos e 20 entidades interessadas em recrutar com propostas de trabalho ou de estágios, avança o jornal Público.

De acesso exclusivo aos membros da OF, esta plataforma virtual permite que os farmacêuticos criem o seu perfil profissional que fica assim disponível para os empregadores, e que, simultaneamente, procurem ofertas de emprego. Além de oportunidades de trabalho nos vários sectores de actividade (farmácias, indústria farmacêutica, investigação, análises clínicas e distribuição), a plataforma pretende incluir informação sobre estágios profissionais, prémios e bolsas.
O objectivo é ajudar a dar resposta ao crescente problema de desemprego na profissão. Dados do Observatório de Empregabilidade do Sector Farmacêuticos da OF e do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) “denotam aumento do desemprego e emigração entre profissionais do sector, além de dificuldade crescente no acesso ao primeiro emprego”, explica a OF, em comunicado.

Entre 2012 e 2013, o IEFP registou um aumento de 35% no número de indivíduos habilitados com o curso de Ciências Farmacêuticas inscritos no instituto (cerca de 1400). Neste período observou-se também um aumento de 155% no número de farmacêuticos que comunicaram à OF a situação de desemprego ou a intenção de emigrar. Perto de três centenas pediram a suspensão da inscrição ou declarações para pedirem a equivalência do curso noutros países, um número que os responsáveis da ordem acreditam não espelhar a realidade porque há profissionais que emigram sem comunicar a saída.

“Até há três ou quatro anos, não havia registo de problemas de emprego no nosso sector (…).A grave crise económica e financeira em que o nosso país se viu mergulhado não o deixou incólume”, justifica o bastonário da OF, Carlos Maurício Barbosa. Em Portugal há cerca de 14 mil farmacêuticos.

 Fonte: RCM pharma

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O potencial do mercado farmacêutico na América Latina

Os gastos anuais com saúde são de 180 mil milhões de dólares e o investimento total na região é de 2,9% do PIB
 

Antes de falar sobre qualquer assunto da América Latina é preciso recordar: este conjunto de países que representa perto de 600 milhões de habitantes - que partilham vínculos geográficos, linguísticos, culturais e comportamentais - registou, entre 2000 e 2012, um crescimento económico médio anual de 5%, tem uma população jovem e com uma taxa de desigualdades sociais cada vez menor, classes médias em plena expansão e com maior poder de consumo e tem conhecido um desenvolvimento notável em termos de segurança, modernização das estruturas produtivas e amadurecimento das instituições democráticas.

Tendo estes pontos bem assentes, podemos focar-nos numa das áreas que mais potencialidade de negócios oferecem às empresas portuguesas: o sector farmacêutico.

O mercado farmacêutico na América Latina estava avaliado em 2012 em 63 mil milhões de dólares. Entre 2009 e 2019, estima-se que o consumo per capita passará de 77 para 129 dólares. Os gastos com saúde são de 180 mil milhões de dólares anuais e o investimento total na região é de 2,9% do PIB. A expectativa média de vida é de 75 anos e as vendas totais de produtos farmacêuticos totalizaram, no último ano, 50 mil milhões de dólares.

É também verdade que este mercado apresenta dificuldades e perguntas difíceis de responder, sobretudo no que diz respeito à heterogeneidade legislativa: como se faz a certificação de um produto, como se faz a sua adaptação aos climas tropicais, se Portugal está incluído nos países de referência de cada Estado, se existem MOU com as autoridades oficiais de cada país, quais são os procedimentos regulamentares para introdução de medicamentos no mercado, qual a legislação que regulamenta a comercialização e a importação de dispositivos médicos, qual a política fiscal e alfandegária, entre tantas outras. Parece uma tarefa hercúlea mas nenhuma destas questões tem impedido as farmacêuticas portuguesas de conquistarem estes mercados, com tal êxito que hoje em dia já se tornaram fundamentais para a sua facturação.

No Fórum Empresarial "Medicamento e Produtos de Saúde", organizado recentemente pelo IPDAL e pela Ordem dos Farmacêuticos, a esmagadora maioria das empresas presentes já exportava ou inclusivamente já tinha operações montadas no terreno, em vários países da América Latina.

Estiveram reunidas as 14 principais farmacêuticas nacionais com os embaixadores da América Latina acreditados em Portugal numa sessão de esclarecimento mútuo sobre as oportunidades que cada um oferece. Nas palavras do presidente da AICEP, que encerrou os trabalhos, vão ser as empresas que representam este cluster, que, por estarem a lograr conquistas e crescimento em contraciclo com o resto da economia, irão ajudar o país a dar a volta à situação em que se encontra actualmente. Para Pedro Reis, o IPDAL e a Ordem dos Farmacêuticos conseguiram reunir "duas prioridades do governo de Portugal: a América Latina e a indústria farmacêutica".

Secretário-geral do Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina

Fonte: Jornal i

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Portugal - Farmácias alteram prescrições de medicamentos

Pedido quer alteração das regras para a fixação do preço dos genéricos de modo a evitar diferenças.
Por Correio da Manhã
A Ordem dos Médicos denunciou, esta terça-feira, "mais um caso" de substituição de prescrições de medicamentos nas farmácias e apelou para a alteração das regras para a fixação do preço dos genéricos para evitar diferenças.

Num anúncio publicado hoje no Correio da Manhã, a Ordem dos Médicos (OM) adianta que um médico prescreveu a um doente no dia 18 de julho dois medicamentos: o Atorvastatina (do Laboratório Azevedos) e Perindopril + Indapamida 4 (do laboratório Ciclum), que custam 4,54 euros e 5,70 euros, respetivamente.De acordo com a OM, a receita foi bloqueada pelo médico com a exceção c) em ambos os medicamentos, a justificação legal para permitir ao doente manter as mesmas marcas em medicação crónica, evitando confusões, e para ter direito à medicação mais barata.

Contudo, a farmácia "alterou para marcas mais caras", cujos preços variavam entre os 4,54 e 11,45 euros no caso do atorvastina e entre os 5,70 e os 12,55 euros quanto ao Perindopril + Indapamida."A diferença dos medicamentos mais caros dispensados pela farmácia constitui um encargo adicional para o doente de cerca de mais 14 euros/mês. Para os doentes que tomam mais de dois medicamentos por mês o prejuízo é muito superior", refere a OM no comunicado.

Por isso, a OM apela "à alteração das regras para a fixação do preço dos genéricos, evitando diferenças brutais de preços, e à correção da legislação que permite às farmácias enganar os doentes, dispensando medicamentos mais caros do que os prescritos pelo médico".

Fonte: Sábado

terça-feira, 17 de setembro de 2013

PORTUGAL - Trocas de remédios nas farmácias "são intoleráveis"

por Diana Mendes
O ministro da Saúde Paulo Macedo considera que as trocas de medicamentos nas farmácias "são intoleráveis. Temos de garantir que a prescrição seja cumprida", refere, reagindo a um conjunto de denúncias feito pela Ordem dos Médicos. À margem de uma conferência no Infarmed, ressalvou, no entanto, que "não se irá alterar a lei. Temos é de garantir que a lei atual é cumprida. 

No final de junho, o DN noticiou que já tinham sido enviadas ao Infarmed mais de uma dezena de denúncias de trocas irregulares, algumas já a ser investigadas pelo Infarmed. Uma delas envolvia mesmo a troca de um remédio por outro distinto a uma doente com 90 anos que estava a ser tratada por ter colesterol alto.

A Ordem dos Médicos denunciou 17 casos, que o Infarmed confirmou existirem e estarem a ser investigadas. Cinco delas foram já arquivadas, oito estão à espera de informações adicionais, três a ser averiguadas e uma deu já origem a um processo de contraordenação por ter efetivamente havido uma troca irregular.

Eurico Castro Alves, presidente do Infarmed, disse aos jornalistas que "muito antes deste anúncio já tinham sido tomadas medidas concretas. Inclusivamente criámos um endereço de email para notificar situações irregulares E apelamos aos médicos e às pessoas para que notifiquem". 

Além desta linha, foi iniciada a um de setembro uma inspeção "a mais de 300 farmácias do País. Paulo Macedo refere que esta investigação servirá para avaliar "se estamos perante a existência de casos pontuais ou se são mais abrangentes".

Até agora, acrescenta Eurico Castro Alves, "temos vistos que a maioria das farmácias estão a cumprir as regras, incluindo a dispensa de medicamentos no prazo legal das 12 horas"

O aumento da quota de genéricos no mercado, que foi o tema desta conferência, é também um dos grandes objetivos do ministro, que tencionar alcançar uma quota de 45% no final deste ano. Paulo Macedo disse que estão a ser criados mecanismos para incentivar ainda mais a prescrição e dispensa de genéricos no mercado.

Fonte: DN Portugal

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Portugal - Eliminado direito de opçao do utente por medicamento mais barato

Despacho do Ministério da Saúde entra em vigor neste sábado

Por: Redacção / CM    |   2013-08-30 21:22

Um despacho publicado nesta sexta-feira, e que dá cumprimento a uma decisão judicial, elimina das receitas médicas o campo onde o doente poderia declarar a intenção de pretender, ou não, exercer o direito de opção por um medicamento mais barato.

O despacho do Ministério da Saúde, que entra em vigor no sábado, surge depois de a Ordem dos Farmacêuticos (OF) ter apresentado uma queixa no Ministério Público, a contestar o referido campo nos atuais modelos de receita médica.

A OF relembra, em comunicado hoje divulgado, que a inquirição ao utente, por parte do médico, sobre a opção, ou não, por um medicamento mais barato - genérico - «vem limitar a liberdade do doente no livre exercício desse mesmo direito de opção, que deve ser exercido perante o farmacêutico, no momento da dispensa, e não perante o médico, no momento da prescrição».

O diploma, assinado pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira, apenas produz efeitos pelo período de vigência da providência cautelar do Tribunal Administrativo de Lisboa, decretada no seguimento da queixa da OF, «sem prejuízo do que vier a ser decidido na ação principal».

Até à impressão de novo modelos de receitas médicas, com as alterações, «considera-se eliminado o campo relativo à pretensão de exercício do direito de opção pelo utente, na frente dos modelos de receita médica aprovados» no ano passado, «e como não escrita qualquer menção ou inscrição que conste do campo».

O diploma precisa que a pré-impressão e materialização de receitas, a partir de 1 de novembro, respeitam já as alterações, «sem prejuízo da utilização e validade das receitas produzidas até essa data».

O despacho assinala que dá cumprimento a uma decisão judicial, embora «criando condições para a necessária adaptação dos sistemas informáticos de apoio à prescrição, bem como para a impressão pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda de receitas sem o referido campo, e para o escoamento das que já se encontram impressas e ainda não tenham sido utilizadas».

Fonte: TVi24 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Portugal - Receitas médicas vão ser alteradas

Doentes devem poder optar pelo medicamento que compram na presença do farmacêutico, não do médico.

As actuais receitas médicas vão ter que ser alteradas a partir de 1 de Novembro, depois de a Ordem dos Farmacêuticos (OF) ter questionado o modelo em vigor, por obrigar os doentes que pretendem exercer direito de opção sobre os medicamentos que compram na farmácia a pronunciar-se no momento da consulta, na presença do médico.

O despacho do secretário de Estado da Saúde que determina a alteração dos modelos de receita médica em circulação - e que esta sexta-feira  foi publicado no Diário da República -, surge após a providência cautelar do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa que suspendeu a eficácia dos modelos de receita actuais devido à inclusão, nas receitas, de um campo que permite o exercício do direito de opção ao utente no momento da prescrição médica.

Foi a OF que deu início a este processo, ao apresentar um requerimento ao Ministério Público (MP) em que considera ilegal a existência deste campo “a preencher pelo médico, mas com a assinatura do doente”. O MP deu razão à OF e remeteu um pedido de providência cautelar ao tribunal administrativo, que o aceitou.

Os pacientes podem escolher entre os medicamentos que têm a mesma substância activa, optando por remédios mais baratos, mas, na prática, a existência deste campo “condicionava-lhes a decisão”, explica o bastonário da OF, Maurício Barbosa.

Há, justifica, uma “assimetria da relação médico/doente”. A OF defendeu, desde o início, que a “inquirição ao doente, por parte do médico, vem limitar a liberdade” do exercício do direito de opção, que deve ter lugar “perante o farmacêutico, no momento da dispensa”.

Até à substituição das receitas actuais, considera-se, já a partir de sábado (data da entrada em vigor do despacho), “eliminado o campo relativo ao exercício do direito de opção pelo utente, na frente da receita médica” ou “como não escrita qualquer menção ou inscrição que conste do referido campo”.

Fonte: Publico.pt


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Portugal - Fraude Passar 200 mil euros em receitas para um (só) medicamento

A Polícia Judiciária (PJ), desmantelou uma rede de sete pessoas, da qual faziam parte médicos, farmacêuticos, delegados de propaganda médica e um empresário de distribuição, que, alegadamente, falsificava receitas de alguns medicamentos, lesando assim o Estado em milhares de euros, explica o Diário de Notícias (DN) de hoje.
 




Dos sete detidos, pela PJ, por suspeita de burla ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) fazem parte três médicos, dois farmacêuticos, um delegado de propaganda médica e um empresário de distribuição, com idades entre os 30 e os 60 anos.

Ao que a esta força policial apurou, os suspeitos emitiam receitas falsas, com o uso indevido de nomes de alguns utentes do SNS cujos medicamentos, depois de comparticipados, voltavam a ser introduzidos no mercado ou enviados para outros países. Dos três clínicos, alguns estão acusados de terem passado 200 mil euros em receitas para apenas um medicamento.

Segundo o inspector da PJ Afonso Sales, em declarações ao DN, o esquema lesou o Estado em milhares de euros.

A acção que levou ao desmantelamento deste mesmo esquema, intitulada ‘Operação Prescrição de risco’, já se realizava há três anos, e contou com 24 buscas na Grande Lisboa, zonas Centro e Norte do País.

Estes sete suspeitos juntaram-se aos 18 detidos em Junho, e aos 252 arguidos de 2012, todos suspeitos de associação criminosa e fraude, com prejuízo total de mais de 25 milhões de euros.



Fonte: Notícias ao minutoPassar 200 mil euros em receitas para um (só) medicamento

Portugal - Medicamentos comparticipados com denominação comercial

O regime de prescrição de medicamentos, modelos de receita médica e condições de dispensa foi alterado. As novas regras começam a aplicar-se hoje, depois de publicada a portaria que determina o fim da separação das receitas para efeitos da adequada monitorização pelas Comissões de Farmácia e Terapêutica (CFT) das Administrações Regionais de Saúde (ARS).

Com a implementação da prescrição e dispensa por Denominação Comum Internacional (DCI), a desmaterialização do circuito de prescrição e a generalização do uso de genéricos, o Ministério da Saúde decidiu facilitar a conferência de medicamentos dispensados nas farmácias.

Lei matéria completa em: http://www.rcmpharma.com/actualidade/direito-na-saude/11-07-13/medicamentos-comparticipados-com-denominacao-comercialhttp://www.rcmpharma.com/actualidade/direito-na-saude/11-07-13/medicamentos-comparticipados-com-denominacao-comercial

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Portugal - Governo aprova lista com 17 medicamentos sem receita para venda só nas farmácias

O governo aprovou hoje uma lista com 17 medicamentos, entre os quais o “campeão de venda” ibuprofeno, que só poderão ser vendidos em farmácias, apesar de não serem de prescrição médica obrigatória.
Segundo a “Lusa”, o diploma hoje aprovado cria uma «subcategoria de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM) que, atendendo ao seu perfil de segurança ou às suas indicações, apenas podem ser dispensados em farmácia».

Nesta subcategoria constam 17 MNSRM, como o ibuprofeno (400), para a dor reumática e muscular, dores nas costas, neuralgia, enxaqueca, dor de cabeça, dentes, dismenorreia, febre, sintomas de constipação e gripe.

Constam igualmente o ácido salicílico + fluorouracilo (para verrugas e queratoses solares) e a aminofilina (para broncoespasmo associado à asma, a doença pulmonar e bronquite crónicas, a hipertrofia ventricular esquerda e a insuficiência cardíaca congestiva).

A amorolfina (para casos ligeiros de onicomicoses), o gás medicinal comprimido e o cetoprofeno (para dor reumática e dor muscular) e a cianocobalamina (para prevenção de estados carenciais de vitamina B12) também fazem parte desta lista.

Dos 17 medicamentos consta ainda a hidrocortisona (para dermatite irritante, dermatite de contacto alérgica, reações a mordidas de insetos e eczema) e a lidocaína + prilocaína (anestesia tópica).

paracetamol + codeína + buclizina (enxaquecas, incluindo crises de cefaleias, náuseas e vómitos) e a teofilina (no alívio e prevenção de sintomas da asma e do broncoespasmo também estão nesta lista.

O governo justifica a criação desta subcategoria de medicamentos com «a evolução do Sistema Europeu de Avaliação de Medicamentos, que aconselha a introdução desta nova categoria».
Esta medida é aplaudida pela Ordem dos Farmacêuticos, que defende «há muito» a consagração legal da chamada “terceira lista” de MNSRM.

«O conjunto de medicamentos disponíveis em Portugal fora das farmácias tem vindo a alargar-se muito significativamente e inclui fármacos de uso prolongado ou que contêm substâncias ativas que, pela sua natureza, perfil de segurança ou pelas suas indicações terapêuticas, exigem aconselhamento e acompanhamento farmacêutico», lê-se num comunicado deste organismo.

A Ordem concorda com o projeto – do qual teve conhecimento através do secretário de Estado da Saúde que o submeteu à apreciação deste organismo – e lembra que «entre os 12 estados-membros (do total de 27) em que os MNSRM estão disponíveis fora das farmácias, somente em Portugal, Itália, Bulgária e Roménia ainda não está instituída uma “terceira lista”».

Fonte: Netfarma

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Campanha alerta para riscos de consumir produtos naturais com medicamentos

O Observatório de Interações Planta-Medicamento (OIMP/FFUC) lança hoje uma campanha para sensibilizar a população dos riscos que corre ao consumir medicamentos com produtos naturais, como chás, suplementos ou até alimentos, combinações que nalguns casos podem conduzir à morte.

"É fundamental que o consumidor conheça os vários tipos de produtos disponíveis no mercado, o que contêm, para que servem, e o risco que pode correr quando os consome", disse à agência Lusa a coordenadora do Observatório, da Universidade de Coimbra, que estuda as interações planta-medicamento "mais frequentes e preocupantes" que ocorrem em Portugal para ajudar a preveni-las. 

A leitura dos rótulos é essencial: "Se o produto estiver dentro da lei" dispõe a informação necessária para ajudar o consumidor a não correr riscos, explicou Maria da Graça Campos. 

O aumento do número de relatos de casos, incluindo mortes, em que surgiram estas interações tem acompanhado o recente crescimento do consumo destes produtos. 

"Muitos destes produtos são vendidos para uso terapêutico como se fossem suplementos alimentares, o que é absolutamente aberrante dado que não suplementam nada e ainda podem colocar em risco a vida dos doentes", alertou. 

Nos últimos 15 anos, "a expansão no consumo" destes produtos sofreu "um enorme implemento", alegando-se os benefícios da medicina tradicional. 

"A verdade é que se criou um negócio bilionário à volta desta ideia, que foge ao controlo rigoroso de eficácia e segurança", criticou a investigadora, afirmando que é preciso combater o mito de que "os produtos naturais não fazem mal". 

Convencidas de que o que é "natural é bom", as pessoas "compram indiscriminadamente" tudo o que lhes propõem. 

"Enquanto não houve internet, a ciência estava razoavelmente controlada e a investigação de plantas com elevado potencial terapêutico pertencia apenas a quem dominava esses conteúdos. Hoje, qualquer pessoa acede às bases de dados mundiais e encontra milhões de artigos a referirem esta ou aquela planta com potencial para poder vir a ser desenvolvido um novo medicamento", advertiu. 

Contudo, não sabem que os constituintes ativos da planta induzem mais efeitos indesejáveis do que possíveis benefícios. 

"O que o público não sabe é que a eficácia [destes produtos], na maior parte das vezes, não foi provada, que o controlo de qualidade é nulo e que, por vezes, vêm adicionados de medicamentos contrafeitos, que podem ainda vir contaminados com substâncias altamente tóxicas", alertou Graça Campos. 

Tal como noutros países, existe em Portugal "uma indústria paralela profícua que prescreve ervinhas (em comprimidos ou não) para tratar doentes seja qual for a doença" a preços elevados, disse Graça Campos. 

A investigadora deu exemplos de plantas que interagem com os medicamentos, como as fibras da alimentação, ou suplementos que as contenham em grande quantidade, que podem diminuir a absorção de alguns fármacos, como os antidiabéticos orais. 

Também o chá verde, o guaraná ou a erva-mate, que possuem uma grande quantidade de cafeína, estimulante do sistema nervoso central, estão contraindicados em casos de hipertensão e perturbações de ansiedade. 

"Quem estiver a tomar, por exemplo, ansiolíticos e/ou antidepressivos pode vir a ter um efeito oposto", advertiu. 

Doentes com hipertensão, se tomarem com a medicação outros vasodilatadores como o Ginkgo ou folhas de oliveira podem sofrer quebras bruscas de pressão arterial e desmaios. 

Estas e outras interações serão explicadas ao longo de cinco semanas nos Media, através desta campanha, que tem quatro públicos-alvo: os doentes polimedicados, a população saudável que usa suplementos, os adolescentes/drogas/"smart drugs" e os doentes oncológicos.

Fonte: RTP

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Portugal - Ministério Público responsabiliza farmacêutico e técnica por cegueira


Publicado em 2013-05-09

Susana Otão*

Ministério Público atribuiu aos dois arguidos, um farmacêutico e uma técnica de farmácia, a responsabilidade na negligência que motivou a cegueira a seis pessoas após cirurgias oftalmológicas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e, nas alegações finais do julgamento, pediu ao tribunal para fazer justiça.
 
foto Jose Carlos Pratas / Global Imagens
Ministério Público responsabiliza farmacêutico e técnica por cegueira
Walter Bom, um dos doentes que ficou cego
 
O julgamento de um farmacêutico e de uma técnica de farmácia, acusados de seis crimes de ofensa à integridade física de forma negligente, no processo do Hospital Santa Maria, teve início há 15 meses. 

Em causa, neste processo, estão seis pessoas que cegaram total ou parcialmente depois de, a 17 de julho de 2009, terem sido submetidas a injeções intraoculares, alegadamente com Avastin, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Na acusação ao farmacêutico e à técnica de farmácia, o Ministério Público considerou que houve troca de medicamentos e que esta troca teria sido "provocada por falta de cumprimento dos deveres impostos pelo manual de procedimentos".

A defesa, por seu lado, alegou que, à data dos factos, não existia manual de procedimentos na Unidade de Preparação dos Produtos Citotóxicos, e denunciou a inexistência de supervisão e fiscalização dos profissionais por ordens superiores e por falta de meios humanos na secção.

Ao longo do julgamento ficou a saber-se que a Unidade de Produção de Citotóxicos não tinha manual de procedimentos para a elaboração de medicamentos, nem havia normas na rotulagem dos medicamentos.

Um manual de procedimentos, contudo, foi enviado para o Infarmed depois dos seis casos de cegueira, como sendo o manual que estava a ser utilizado à data dos factos.

Ficou ainda a saber-se que os medicamentos eram elaborados e ministrados segundo as orientações verbais da coordenadora do serviço de produção de citotóxicos, e que não havia supervisão e fiscalização dos profissionais que produziam os medicamentos por falta de meios humanos.

Durante as audiências foram ouvidos oftalmologistas que consideraram que a cegueira das seis pessoas terá tido origem tóxica e que os pacientes foram inoculados com um medicamento diferente do suposto - o Avastin (Bevacizumab).


*Com Agência Lusa

Fonte: Jornal de Notícias - Portugal

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Portugal - Cerca de 80 "erros médicos" registados em três meses


Balanço do sistema informático de notificação de eventos adversos em instituições de saúde.
DGS implementou um sistema pedagógico e não punitivo Adriano Miranda


Cerca de 80 “erros médicos” ocorridos em hospitais e centros de saúde foram registados nos primeiros três meses de funcionamento do sistema informático de notificação de eventos adversos em instituições de saúde, segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS).
Desde 28 de Dezembro está disponível no site da DGS “sem interrupções ou falhas” um sistema que permite registar anonimamente os eventos adversos que ocorrem em instituições de saúde, para analisá-los e corrigi-los no futuro, sem punir os médicos.

Alexandre Diniz, responsável pela área da qualidade na DGS, revelou terem sido feitas até à data cerca de 80 notificações, as mais recorrentes das quais dizem respeito a “comportamento”, “quedas” e “infecções associadas aos cuidados de saúde”.

A inscrição dos hospitais e centros de saúde neste sistema é voluntária e a notificação dos eventos adversos – vulgarmente designados de “erros médicos” – é anónima, podendo ser feita pelo profissional de saúde ou por um cidadão, pois o objectivo não é punir, mas melhorar a segurança do doente e a qualidade dos serviços.

Segundo Alexandre Diniz, “existem, neste momento, 11 instituições [de saúde] que completaram o processo de criação do perfil de gestor local”.

Quanto às sugestões de melhorias apresentadas, na sequência dos casos notificados, o responsável afirmou não ter conhecimento, uma vez que “as medidas são desenvolvidas internamente nas instituições e fora do sistema de notificação, para garantia de total anonimato”.

O responsável destacou que este sistema “promove uma cultura de actuação pró-activa em relação aos perigos e riscos, permitindo um reforço da actuação preventiva” e a criação de mais e melhores medidas para redução dos danos.

Este sistema vai permitir perceber a dimensão da ocorrência de eventos adversos nas instituições de saúde e, através da sua análise, desenvolver planos para reduzir esses eventos nas instituições.

Depois de devidamente analisadas e identificadas as causas do evento é criada uma norma para corrigir o problema no sistema de saúde.

Quando um profissional de saúde – seja médico, enfermeiro ou farmacêutico – pretende fazer uma notificação de um evento adverso, pode fazê-lo de duas formas.

Acede, no site da DGS, às notificações de eventos adversos e pode notificar rapidamente com um conjunto mínimo de dados essenciais ou preencher o formulário mais completo, de dez páginas.

O gestor local (da instituição de saúde onde se verificou a ocorrência) recebe imediatamente um e-mail a informar que caiu a notificação no sistema e o notificador recebe um código de acesso, para poder acompanhar mais tarde o que está a ser feito no âmbito daquele processo.

Como este sistema é pedagógico e não punitivo, pretende a responsabilização dos profissionais e das instituições de saúde, não cabendo à DGS em altura alguma a verificação ou supervisão.

Ou seja, se um gestor local decidir não fazer nada, não dar andamento ao processo, na sequência da notificação que lhe chega, a DGS não tem conhecimento disso e o processo morre ali.

A notificação pode igualmente ser feita por um cidadão, por exemplo o familiar de um doente vítima do evento adverso, devendo para isso preencher um formulário no site da DGS semelhante ao que é preenchido pelo profissional.

A partir daí, o processo é o mesmo: o gestor recebe a notificação e o cidadão, um código de acesso.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Antibiótico com novo princípio activo mostra promessa contra infecção bacteriana

21/12/2012 - 08:07

Cientistas no Instituto Karolinska, na Suécia, descobriram um novo tipo de antibiótico capaz de combater infecções bacterianas graves. O medicamento possui um novo mecanismo de acção baseado no bloqueio selectivo do sistema tiorredoxina nas células, que é essencial para o crescimento de certas bactérias. Os cientistas esperam ser capazes de tratar condições como úlceras do estômago, tuberculose e MRSA (Methicillin-resistant Staphylococcus aureus), avança o portal Isaúde.

"Ainda há muito trabalho a ser feito, mas acreditamos que será possível usar esse mecanismo, quando, por exemplo, antibióticos de amplo espectro não funcionarem", afirma o líder do estudo Arne Holmgren.

A pesquisa foi publicada no FASEB Journal.


O sistema tiorredoxina está presente em todas as células e é fundamental para a capacidade de produzir novo ADN (material genético). Também é importante para a protecção da célula de um processo conhecido como stress oxidativo, que ocorre quando radicais de oxigénio em excesso e outros agentes oxidantes são formados.

Isto pode ocorrer, por exemplo, durante o ataque de células brancas do sangue às bactérias, que pode danificar ou matar a célula. Os componentes mais importantes do sistema tiorredoxina são as enzimas e tiorredoxina e tioredoxina redutase, das quais a primeira é necessária no processo de criação de peças que dão origem ao novo ADN e a segunda garante que a tioredoxina permaneça activa.

Em adição ao sistema tiorredoxina, mamíferos, seres humanos e algumas bactérias têm um segundo processo bioquímico semelhante, que se baseia na enzima glutarredoxina. O sistema tiorredoxina e o sistema glutarredoxina agem como backup um do outro.

No entanto, muitas bactérias que causam a doença, como a Helicobacter pylori, que causa úlceras, a Mycobacterium tuberculosis, que causa tuberculose, e a bactéria Staphylococcus MRSA multirresistente, têm apenas o sistema tiorredoxina.

Segundo os investigadores, isto faz com que estas bactérias sejam muito vulneráveis a substâncias que inibem a tiorredoxina e a tioredoxina redutase. "Além disso, as tiorredoxinas redutases em bactérias são muito diferentes na composição química e na estrutura da enzima humana. E são justamente essas diferenças, e o facto de que certas bactérias não têm o sistema glutarredoxina, que sugerem que os fármacos que afectam a tioredoxina redutase podem ser usados como antibióticos. Isto é o que descobrimos", afirma Holmgren.

A equipa tem utilizado um candidato a fármaco conhecido como ebselen, que foi previamente testado no tratamento de acidente vascular cerebral (AVC) e de inflamação. Os cientistas descobriram que o ebselen e substâncias sintéticas similares inibem, entre outras coisas, a tioredoxina redutase em bactérias.

Os cientistas viram em experiências de laboratório como o ebselen matou certos tipos de bactérias e outros não. Eles foram capazes de modificar as propriedades genéticas de Escherichia coli (E. coli), que não são normalmente susceptíveis a ebselen e, desta forma, investigar os mecanismos subjacentes ao efeito antibiótico.

As bactérias que são resistentes a vários tipos diferentes de antibióticos são problemas graves e extensos em todo o mundo. O método de atacar bactérias impedindo a construção da sua parede celular, que foi inventado quando a penicilina foi descoberta no início do século XX, continua a ser utilizado. É por este motivo que a ciência busca encontrar novas formas de combater doenças causadas por infecções bacterianas.

Os cientistas que propuseram o artigo acreditam que o antibiótico com novo princípio activo pode ser parte da solução. "É particularmente interessante que MRSA e TB resistente a antibióticos também sejam susceptíveis oa ebselen e novas substâncias sintéticas. E é interessante notar que o ebselen é um antioxidante, como a vitamina C. Isso significa que ele também protege o hospedeiro contra o stress oxidativo", conclui Holmgren.



segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Portugal - Farmacêuticos: «Libertinagem na prescrição» dificulta acesso a remédios


Farmacêuticos: «Libertinagem na prescrição» dificulta acesso a remédios

O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos disse hoje que são cada vez mais os utentes que não conseguem aviar todos os medicamentos nas farmácias, por dificuldades financeiras, tendo atribuído parte desta situação a uma certa "libertinagem na prescrição".

"É uma situação triste que, muitas vezes, acontece porque os médicos continuam a prescrever medicamentos caros em vez de optarem pelos genéricos que são muito mais baratos", afirmou Carlos Maurício.

Se os médicos prescrevessem mais genéricos, adiantou o bastonário, muitos utentes poderiam adquirir fármacos praticamente sem custos, uma vez que o seu preço baixou 58 por cento nos últimos dois anos.

Às dificuldades financeiras dos utentes, alia-se a crise que as farmácias atravessam e que impedem, em certos casos, a atribuição de crédito como aconteceu durante décadas.

"A conta na farmácia é uma coisa comum. Estes estabelecimentos têm financiado o sistema de saúde durante anos e anos, mas agora estão numa situação de tal forma grave que muitas vezes não podem adiantar os medicamentos aos utentes", frisou.

Carlos Maurício diz que são frequentes os casos em que os utentes escolhem alguns dos medicamentos prescritos pelos médicos por não terem dinheiro para aviar toda a receita e que o farmacêutico participa nesta escolha para minimizar os efeitos da falta de uma receita completa.

O bastonário defende que o estado estabeleça regras na prescrição, de forma a que não se prescrevam medicamentos caros quando já existem mais baratos no mercado e "com a mesma qualidade".

Para Carlos Maurício, as farmácias chegam ao final do ano numa situação muito difícil, com muitas a fecharem por insolvência e outras a pedirem um ano de suspensão do alvará.

"Por cada farmácia que fecha, principalmente no interior, ficam milhares de portugueses sem acesso ao medicamento e, mais que isso, ao aconselhamento", disse.

Diário Digital com Lusa

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Portugal - Médicos serão obrigados a justificar prescrição de antibióticos


Os médicos vão ser obrigados a justificar a prescrição de alguns antibióticos, uma medida que o director-geral da Saúde justificou esta terça-feira com a necessidade de se combater a resistência dos agentes infecciosos a estes fármacos, que é “preocupante”.

“Estamos na iminência de poder não ter antibióticos activos contra as bactérias e o exemplo mais preocupante é o da tuberculose”, disse Francisco George à margem de um encontro sobre Infecção Associada aos Cuidados de Saúde em Portugal.

A monitorização da dispensa de antibióticos já está em vigor em alguns hospitais, como o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, e deverá ser alargada a todas as unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde.
Na prática, quando um antibiótico for receitado para uma determinada situação, em que não é considerado o mais adequado, ou durante demasiado tempo, as comissões de controlo de infecção a funcionar nos hospitais vão passar a questionar esta prescrição.

Francisco George transmitiu a sua preocupação com a questão das resistências aos antibióticos, classificando-a mesmo como “um dos grandes problemas em Portugal”. E apontou o dedo às administrações hospitalares, que “não têm dado a devida importância à dimensão das infecções e das resistências”.

“As comissões de infecção são pouco apoiadas pelas próprias administrações”, disse, advertindo: “Isto não pode ser”.

A mudança, disse ainda, passa precisamente pela “monitorização da dispensa de antibióticos nas farmácias hospitalares”.“Os médicos vão ter de dar explicações sobre esta prescrição”, adiantou.

Portugal é um dos países europeus com mais altas taxas de prescrição e consumo de antibióticos e isso mesmo tem vindo a ser assinalado em vários relatórios internacionais publicados nos últimos anos. O mais recente surgiu no final de 2011, quando o Sistema Europeu de Vigilância da Resistência aos Antimicrobianos colocou Portugal na 9.ª posição entre os países da União Europeia com consumos mais elevados.

A própria Direcção-Geral da Saúde tem activo um Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antimicrobianos, que funciona como uma espécie de “manual de boas práticas” de prescrição dirigido aos médicos com dados sobre os tipos de infecção e de antibióticos adaptado à realidade nacional.

Diário Digital com Lusa

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Portugal - Farmacêuticos "têm habilitações" para uma maior intervenção social, considera o Bastonário

O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Carlos Maurício Barbosa, defendeu hoje à Lusa uma maior participação destes profissionais na sociedade, nomeadamente nas doenças crónicas e nos cuidados primários, pois "têm habilitações e formação".

"Os farmacêuticos podem ter uma maior participação, pois têm competências e formação que lhes permite ter uma intervenção na sociedade junto dos doentes crónicos, na área dos cuidados primários, podendo haver ganhos em saúde para os portugueses quer do ponto de vista clínico e humano, mas também de racionalização económica", afirmou o bastonário. 

O responsável fez estas declarações à Lusa á margem do Congresso Nacional de Farmacêuticos que decorre desde sexta-feira em Lisboa, e encerra hoje. 

"O sistema de saúde deve contar mais com os farmacêuticos" cuja capacidade tem sido desperdiçada, rematou. 

O ex-secretário de Estado da Saúde do Governo socialista Manuel Pizarro, que participou hoje num debate no Congresso, disse à Lusa que "o Governo está a por em causa o acesso dos portugueses aos medicamentos" e referiu que há o risco de em 2013 serem encerradas "centenas de farmácias". 

"O Governo exagera nas medidas e vai além da `troika`", declarou, defendendo "estabilidade para o setor" e desejando que o Governo "dialogasse" com os farmacêuticos. 

O deputado do PS referiu que durante o seu mandato no Executivo se promoveu uma atualização trimestral do preço dos genéricos. 

"Agora que já reduziu em 50% o preço dos genéricos, será que se justifica manter uma atualização trimestral, nós achamos que não", disse. 

O socialista defendeu ainda um aligeiramento de "certos regulamentos, como horários, de modo a reduzir custos" das farmácias. Fora desta proposta estão as "exigências técnicas", que devem ser mantidas. 

Manuel Pizarro afirmou ainda que "se deve caminhar para o pagamento do ato farmacêutico". 

João Semedo, do Bloco de Esquerda, que participou na mesma mesa redonda que Pizarro, defendeu que "as próprias farmácias façam uma gestão que reequilibre os seus custos". 

"A estrutura de custos terá de evoluir", disse Semedo que alertou que também "é preciso recompensar devidamente a importantíssima atividade social e comunitária que as farmácias têm", disse. 

"O sistema de remuneração das farmácias está desatualizado quer relativamente ao serviço que prestam, quer às necessidades do seu equilíbrio financeiro", disse o dirigente bloquista que apontou as seguintes possibilidades para esse reequilíbrio: "alterar a proporção das margens do custo do medicamento; alterar os escalões da regressividade das taxas; ou colocar uma taxa fixa em função do medicamento ou da receita".
Semedo afirmou à Lusa, o Bloco está preocupado com os "reflexos da atual política do medicamento nas farmácias" e defendeu a remuneração do ato farmacêutico, como contempla a terceira possibilidade, e que "é praticada em muitos países da União Europeia e do resto do mundo". 

O bloquista defendeu ainda que o Governo deve intervir na falta de medicamentos que acontece no mercado nacional, uma situação que se deve à baixa do preço do medicamento, o que "torna mais rentável, quer para o produtor quer para o armazenista, vender esse medicamento para outros países da União Europeia, e não tem depois medicamentos em quantidade suficiente para abastecer a realidade nacional". 

"Não aceitamos que se venda apenas lá fora porque se ganha mais e não se abasteça o mercado de acordo com as necessidades dos doentes portugueses", sentenciou. 

Segundo dados revelados por Carlos Maurício Barbosa, há atualmente em Portugal 9.000 farmacêuticos que trabalham em 2.900 farmácias, "homogeneamente espalhadas pelo território nacional". 

Fonte: RTP

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Doenças infecciosas emergentes e reemergentes: Estamos preparados?

Portugal precisa de implementar uma política laboratorial de Biossegurança

2012-10-02
Por Susana Lage
 
Sofia Núncio
Sofia Núncio
 
As doenças infecciosas emergentes e reemergentes como a Sida, o vírus do Nilo Ocidental, a pneumonia atípica (SARS), o vírus do Ébola ou a gripe aviária têm vindo a aumentar no mundo nos últimos anos. Como exemplos recentes há a nova estirpe de Escherichia coli e, no mês passado, a identificação de um novo coronavírus. No entanto, é imprevisível saber com antecedência qual ou quais as doenças que irão emergir em Portugal num futuro próximo. 
 
Segundo Sofia Núncio, mais importante do que saber quais as doenças que podem aparecer no país, “é fundamental direccionar os esforços no reforço da vigilância, conhecer os agentes que circulam, onde e qual o potencial impacto na Saúde Pública”.

A investigadora da Unidade de Resposta a Emergências e Biopreparação do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, explica ao Ciência Hoje que os estudos realizados até ao momento indicam que “60 por cento das doenças emergentes são originárias de doenças animais transmissíveis ao homem, como a brucelose. Muitas delas também estão associadas a vectores como os mosquitos, carraças e roedores, tal como a malária e os vírus hemorrágicos. Igualmente importantes são as doenças emergentes devido ao aparecimento de mecanismos de resistências aos antimicrobianos, que se devem principalmente à utilização crescente de antibióticos, como são os casos da tuberculose resistente e da bactéria E. coli”.

Diante este cenário, os mecanismos de vigilância, diz Sofia Núncio, “permitem fazer o acompanhamento da situação e fornecer a informação às autoridades competentes que devem actuar em conformidade e atempadamente à situação detectada”.

Entre as medidas mais aconselháveis para uma abordagem abrangente das doenças infeciosas que podem ser adoptadas em Portugal, a especialista aponta a necessidade de “investir na formação contínua, na organização de simulações que permitam melhorar a comunicação, a coordenação e as capacidades de todas as autoridades e profissionais de saúde, nomeadamente, médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, veterinários, técnicos de saúde pública, forças de segurança e intervenção, entre outros”.

Práticas implementadas noutros países são importantes para abordagem das doenças infecciosas
Práticas implementadas noutros países são importantes para abordagem das doenças infecciosas
 
Adoptar novas práticas

Para debater os assuntos relacionados com Biossegurança e Doenças Infeciosas emergentes e reemergentes, partilhar conhecimentos e experiências seguindo as orientações europeias, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge organizou para o próximo dia 29, o II Workshop «Biossegurança: Doenças Infeciosas, uma potencial ameaça biológica».

O principal objetivo do encontro é contribuir para a implementação de uma política laboratorial de Biossegurança em Portugal.

A iniciativa vai dar especial ênfase à adopção de práticas implementadas noutros países, fundamentais para uma abordagem abrangente das doenças infecciosas emergentes e reemergentes. Serão ainda divulgadas as primeiras etapas alcançadas pela Rede Laboratorial Portuguesa de Biossegurança (Lab-PTBioNet), criada no decorrer do I Workshop «Biossegurança: Situação em Portugal», realizado o ano passado.

“Até à data foi possível integrar quase todas as Instituições Portuguesas com laboratórios BSL‑3; conhecer o número de laboratórios BSL–3 em Portugal e quais as suas valências; criar um inventário dos agentes infecciosos, linhas celulares, entre outros, que cada laboratório dispõe; iniciar a elaboração do Manual de Biossegurança uniformizado para todos os laboratórios; e organizar anualmente um Workshop sobre Biossegurança que contribuiu para a disseminação do conhecimento científico nesta área”, avança Sofia Núncio referindo-se às primeiras etapas alcançadas pela Lab-PTBioNet.
 
Fonte: Ciênia Hoje
 

domingo, 14 de outubro de 2012

Portugal - Farmacêuticos pedem medidas de emergência

por Ana MaiaOntem


223 929 assinaturas. Foi este o número anunciado por João Cordeiro, no Campo Pequeno, no discurso final da aula magna que juntou esta tarde cerca de 4.500 farmacêuticos e estudantes. Assinaturas da petição "Farmácias de Luto" que o presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF) entregou no Ministério da Saúde.

"Este é um setor que tem vindo a ser destruído por medidas sem avaliação. É bom lembrar que não foram os hospitais e as instituições geridas pelo Ministério daSaúde que reduziram os gastos", disse João Cordeiro, sempre acompanhado de salvas de palmas.

Entre as várias medidas pedidas, uma destacou-se pela sua "emergência": "o alargamento do prazo de pagamento das farmácias de 30 para 90 dias", pediu o presidente da ANF. Farmacêuticos e estudantes - nas palavras de JoãoCordeiro 6000 e em vez dos 4.500 inicialmente estimados - seguiram para o Ministério daSaúde, a poucos quarteirões de distância.

"Estou aqui contra o descrédito de uma profissão pela qual lutámos. Sentimos muitas dificuldades para dar resposta à população. Mas enquanto houver um medicamento para dispensar estaremos de portas abertas", disse ao DN Maria João Abreu, farmacêutica há 25 anos. Como tantos outros, sentiu uma redução de ordenado e vive com angustia a degradação das condições financeiras da farmácia. "Existe um risco real da farmácia fechar. O ministério tem de aceitar discutir as nossas propostas".

Bandeiras negras e cartazes, ao som de uma buzina, assinalaram a marcha que parou frente ao ministério. Na frente, Miguel Couto, 30 anos e cinco como farmacêutico, mostrava a sua indignação. "Cada vez menos o Governo dá condições às farmácias para desenvolverem o seu trabalho. Temos muitas dificuldades. Custos fixos que não são cobertos. Há postos de trabalho em causa. A única coisa que pedimos é nos deixem de trabalhar".

Miguel admite que o estrangeiro poderá ser uma solução no futuro, caso fique sem trabalho. O mesmo equaciona Rita Diniz, 24 anos e finalista do curso de farmácia. "Escolhi este curso por gosto. Quando entrei não havia problema de emprego. Agora, será o trabalho que conseguir arranjar. Não há nada garantido. É pelo desemprego e pelo acesso aos medicamentos por parte dos doentes que estou aqui a manifestar-me. Estou a colocar seriamente a hipótese de ir para o estrangeiro. E colegas meus também. Inglaterra ainda é um país que ainda tem as portas abertas", lamentou.

Fonte: DN.pthttp://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2827228