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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Laboratórios influenciam prescrição

Produtores de medicamentos oferecem vantagens nem sempre lícitas a médicos pela preferência por seus remédios
Wagner Teodoro

Um médico entrevistado pelo Jornal da Cidade que preferiu não se identificar admite que podem existir razões que fogem ao estrito exercício da medicina atrás de uma recomendação ao paciente pelo uso do medicamento de referência em detrimento do genérico.

Faz questão de ressaltar, no entanto, que a prática não é generalizada e feita apenas por “alguns profissionais”. “Isso acaba existindo. O representante do laboratório está sempre presente e, se o médico não ganha nada, entre receitar um remédio de um cara que está toda semana no consultório e outro que nunca vem, acaba receitando o daquele que sempre vem. Se para ele não muda nada...”, declara.
O médico explica também que outras vantagens podem vir de uma “opção” por determinado medicamento de um laboratório específico. “O médico pode ter ido a congressos onde o próprio laboratório patrocina a sociedade”, pontua.

O médico consultado pelo JC explica que nos congressos de cada especialidade os laboratórios montam seus estandes e entram com “financiamentos”. “Eles pagam as passagens dos congressistas. O laboratório está interessando em um médico que atende em uma cidade, que ele sabe que vai ter volume. Aí, o laboratório sabe que vai ter uma palestra em determinado lugar e leva os médicos X, Y e Z para assistir ou vice-versa, leva para palestrar. Passa o conhecimento, mas na verdade está aparecendo a marca”, explica.

O presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Pedro Menegasso, admite a existência do “esquema”, mas afirma que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe tal ação.

“Esta é uma prática que realmente existe, mas há uma resolução da Anvisa proibindo este tipo de relacionamento. Oficialmente, os laboratórios não podem oferecer nenhum tipo de vantagem ao prescritor para que ele prescreva determinado medicamento. Isso é contra as normas sanitárias”, enfatiza.
Menegasso observa que a resolução da Anvisa é bem detalhada e determina o que pode ser oferecido, os tipos de brindes que podem ser dados. “Se for uma palestra bancada por um laboratório, é obrigatório revelar qual laboratório está bancando esta palestra e ter todo um detalhamento para evitar este tipo de relacionamento”, destaca.

Outro lado
O médico ouvido pelo JC, porém, pondera que existe outro aspecto na questão da opção e orientação por um medicamento de referência. Nem sempre uma recomendação ou definição por um remédio de marca está pautada por questões financeiras ou alheias à cura do paciente.

O profissional pode ter confiança plena em um medicamento e optar por ele, principalmente em casos mais graves.

“Você pega os laboratórios de ponta e o cuidado que eles têm é tão grande que você sente isso nos resultados do dia a dia com o paciente. Este controle de qualidade que se vê na prática, principalmente nos casos mais graves, faz o médico direcionar e escolher determinado medicamento de marca”, afirma o médico.

A explicação aqui é o profissional temer um risco desnecessário e que pode ser fatal para o paciente. Por isso, a opção por um medicamento de total confiança.

“Às vezes, você está dando um medicamento ‘X’ e, se o caso é mais leve, dá para fazer uma alteração de rota e corrigir. Mas se a pessoa estiver com uma septicemia (infecção generalizada) e a chance dela é aquela única, o médico pode optar por não correr riscos”, conclui o médico.

Espionagem e invasão
Muito mais gente do você imagina pode ter um histórico completo das doenças que você teve e medicamentos que tomou ao longo da sua vida. Como um serviço de espionagem, bisbilhotando receitas, laboratórios têm dados precisos sobre o que cada médico prescreve com objetivos estratégicos no mercado. Portanto, aquela impressão de que só seu médico e no máximo o farmacêutico terão acesso ao seu histórico de saúde é mera ilusão.

O médico consultado pelo Jornal da Cidade (que preferiu não se identificar) condena a prática de espionagem praticada em larga escala pela indústria farmacêutica e vê como uma invasão ser abordado por um representante que já sabe exatamente quais medicamentos foram prescritos em suas receitas.
“O representante vem fazer uma visita ao meu consultório e sabe o que eu receitei. Isso me incomoda. É uma invasão. Ele vai fazer a propagandinha dele, mas já sabe o que eu receitei. É um negócio chato”, reclama.

O presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Pedro Menegasso, confirma que a prática é comum e explica como funciona a espionagem.
“Isso é feito e neste sentido a Anvisa não tem tomado nenhuma providência. Esta amostragem é tomada na própria farmácia. Nós temos recomendado às farmácias que não façam este tipo de coisa. Existe a questão do sigilo entre médico e paciente. Mas existem inclusive grandes multinacionais que têm parceria com a própria Anvisa que fazem este trabalho de captação de receitas. Às vezes, microfilmam a receita, tiram cópia. Às vezes, o próprio farmacêutico digita o CRM (registro) do médico no sistema na hora de vender o remédio e já vai a informação para o laboratório sobre qual médico está receitando aquele medicamento”, expõe.

Menegasso entende que a prática traz grande exposição para os pacientes. “Consta na receita o nome do paciente e ninguém deve ficar sabendo, além do médico, o próprio paciente e farmacêutico. Ninguém tem que saber qual medicamento que você está tomando. Sabendo o medicamento que você está tomando, eu posso saber qual doença você tem e isso é uma coisa entre você e seu médico. A orientação é para que não se faça, porque o paciente tem direito ao sigilo”, reitera.

Fonte: JC net

sexta-feira, 12 de julho de 2013

GlaxoSmithKline acusada de subornar médicos

A Polícia Chinesa anunciou que funcionários da farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK) subornam médicos nos hospitais, avança o Yahoo Finance.

Funcionários davam viagens grátis como "grandes subornos" a médicos, hospitais, fundações e associações médicas "para abrirem novos canais de vendas e aumentarem as receitas de fármacos", avança em comunicado.

Identificaram os funcionários como "altos funcionários" da farmacêutica sediada na Grã-Bretanha, GSK e não deram detalhes sobre o valor dos pagamentos ou quem os recebeu. A investigação foi realizada em Xangai, e as cidades de Changsha e Zhengzhou.

"Após interrogatório, os suspeitos confessaram o crime", avança  o comunicado.

A GlaxoSmithKline não respondeu a pedidos de comentário.

A polícia de Changsha anunciou há duas semanas que funcionários da GSK haviam sido detidos para interrogatório sobre  "crimes económicos". A empresa disse que naquela época estava a cooperar com as autoridades mas não sabiam o que estava a ser investigado.

A GlaxoSmithKline afirmou em Junho passado que tinha aberto investigação interna à acusação de que na China os seus vendedores praticavam o suborno e anunciou que não encontrou nenhuma irregularidade. A empresa afirma que o inquérito policial deve baseado em informações da mesma fonte anónima.

A GlaxoSmithKline está sediada na Grã-Bretanha, mas tem presença nos Estados Unidos, o que poderá torná-la passível a sanções ao abrigo das leis anti-suborno dos EUA.

Fonte: RCMpharma

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Quebra da relação entre médicos e indústria farmacêutica melhora saúde e reduz custos

David Stauth - OSU
Um novo relatório sugere que melhorias no cuidado à saúde e reduções significativas nos custos de medicamentos podem ser obtidas rompendo o antigo relacionamento entre médicos e representantes das empresas farmacêuticas que promovem os medicamentos mais novos, mais caros e muitas vezes desnecessários.

Esse sistema, que está em vigor há décadas, beneficiou os médicos no passado, mantendo-os atualizados sobre novos medicamentos, e fornecendo generosas quantidades de amostras grátis para que os pacientes começassem a usar as drogas mais recentes, bem como outros materiais e presentes.
Mas esse sistema é na verdade um poderoso processo de marketing em que a indústria farmacêutica despeja dezenas de bilhões de dólares por ano, com mais de 90 mil representantes distribuindo presentes e recomendações.

Há um representante farmacêutico para cada oito médicos nos Estados Unidos.

Isto não necessariamente serve aos melhores interesses dos pacientes em termos de economia, eficácia, segurança e precisão das informações, dizem os especialistas autores do relatório.

Livre dos representantes das empresas farmacêuticas
Em um dos primeiros estudos desse tipo - intitulado Breaking Up is Hard to Do - "Romper é Difícil", em tradução livre - pesquisadores da Universidade do Estado do Oregon, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon e da Universidade de Washington descrevem o processo deliberado que uma clínica médica empreendeu para remover os representantes das empresas empresas farmacêuticas de sua prática.

O estudo explora os obstáculos enfrentados e o resultado final, bem-sucedido.

O estudo concluiu que evitar conflitos de interesse e tornar-se "pharma-free" é possível, mas não é fácil.

"É uma mudança de cultura, que já está acontecendo, mas ainda tem um caminho a percorrer, especialmente em clínicas privadas menores," disse o Dr. David Evans, um dos autores do estudo.

Parte do que está permitindo essa mudança, segundo os pesquisadores, é que as informações sobre novos medicamentos já estão disponíveis em muitas outras formas.

Essas outras fontes têm menos viés e são mais baseadas em evidências científicas do que o material tradicionalmente fornecido pela indústria farmacêutica, que quer vender o produto mais recente.

Como quebrar a ligação entre médicos e representantes
Na Clínica Madras, onde foi feito o piloto de eliminação da influência dos representantes, os médicos substituíram as informações fornecidas anteriormente pelos representantes por reuniões mensais para atualização sobre novos medicamentos, com base em estudos científicos revisados pelos pares, em lugar da literatura promocional.

"Nos últimos 5-10 anos houve um reforço de um movimento em direção ao que chamamos de 'detalhamento acadêmico', em que as universidades e outras fontes imparciais de informação podem fornecer informações precisas, sem viés," disse Daniel Hartung, coautor do estudo. "Isso está sendo apoiado por alguns estados e pelo governo federal, e é um passo na direção certa."

A nova análise explora as medidas necessárias que uma clínica privada pode tomar para ajudar a resolver este problema, incluindo a quantificação da relação clínica-indústria, antecipação das preocupações dos clínicos e funcionários, como encontrar novas formas de fornecer informações atualizadas e de educar os pacientes e o público.

O relatório, publicado no Journal of the American Board of Family Medicine, pode ser lido gratuitamente no endereço http://bit.ly/19tKK06.