Mostrando postagens com marcador DCI. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador DCI. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Portugal - Continua briga de médicos e farmacêuticos. E com comparações esdrúxulas.

As 1001 maneiras de cozinhar bacalhau


por Ema Paulino, publicado em 17 Nov 2011 - 03:00 | Actualizado há 13 horas 53 minutos

No “Prós e Contras” dedicado à prescrição por denominação comum internacional, em vez do doente, o bacalhau veio a revelar-se o verdadeiro centro das atenções

Quem teve oportunidade de ver o debate não ficou certamente indiferente às declarações da Dr.a Teresa Rodrigues, médica internista, comparando medicamentos com “bacalhau à Brás”. A alguns pode ter feito crescer água na boca. A mim, ver uma profissional de saúde, com responsabilidades na adequada educação da população, fazer este tipo de comparação tirou-me o apetite.

Em circunstâncias normais, esta comparação seria, no mínimo, irresponsável. Tendo em conta o actual estado do país e das carteiras dos doentes que têm de escolher os medicamentos que podem comprar na farmácia, a declaração de que um medicamento de marca é feito com “ovos caseiros” e “batatinhas portuguesas” e um medicamento genérico é feito com “ovos em pó” e “batatas de supermercado” é criminosa.

Já o disse anteriormente e repito-o. Os medicamentos genéricos têm qualidade, são eficazes e são seguros. Em suma, são bons. Tão bons como os medicamentos “de marca”. A saúde não se compadece com “ovos em pó”. As autoridades de saúde nacionais e internacionais assim o garantem.

Pôr em causa a idoneidade e o funcionamento destas autoridades foi também prato do dia. Não deixa de ser interessante que se alegue que a relação médico-doente não pode ser questionada, mas acusar o Infarmed de não cumprir a sua missão de protecção da saúde do cidadão já se pode.

Permitam-me fazer aqui uma declaração eventualmente polémica: o doente não é de ninguém. O doente é de si próprio e merece que lhe reconheçamos o direito de decisão. Após ter sido devidamente informado. Por todos os profissionais de saúde em uníssono. Ou pelo menos por quem saiba a diferença entre medicamentos e alimentos.
Os médicos precisam de formação e deve ser o seu empregador (na maior parte dos casos o SNS) a providenciar os meios para que se cumpra este seu mais que legítimo direito. Caso contrário, o Estado demite-se de um dever e arcamos todos nós com as consequências.

Não é altura para mensagens contraditórias em relação à qualidade dos medicamentos – genéricos ou de marca. A legislação que prevê a prescrição por DCI tem claras vantagens, nomeadamente económicas. A despesa com medicamentos nas farmácias da Região Autónoma da Madeira baixou 40,5% em Setembro face ao mesmo mês de 2010, após aprovação de legislação semelhante.

Também envolve riscos, é certo. A duplicação da toma de medicamentos por terem caixas e formas diferentes é um deles. Já com a legislação actual acontece. Há que reconhecê-lo e adoptar estratégias integradas de redução dos riscos já identificados.

Façamo-lo, mas não tenhamos quaisquer dúvidas: o país e os doentes precisam de poupar para ter pão para a boca.

Farmacêutica

fonte: ionline

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Portugal - Governo aprova prescrição de medicamentos por princípio activo

Há anos que se fala na prescrição por DCI, de forma a promover a liberdade de escolha do cidadão e a baixar custos com remédios.
O Governo aprovou ontem uma proposta de lei que estabelece novas regras de prescrição e dispensa de medicamentos, com base no princípio activo. O ministro da Saúde já tinha dito que pretendia avançar com esta medida já em Outubro.
A prescrição por Denominação Comum Internacional (DCI) tem sido apregoada há vários anos, mas nunca chegou a ser implementada. Aliás, o próprio PSD votou, no passado, contra a mesma. Agora, no Governo, decidiu avançar com a mesma.
Esta medida permitirá ao cidadão adquirir na farmácia o medicamento mais barato com a substância activa prescrita pelo médico pois em vez de o médico prescrever os medicamentos pelo nome de marca, prescreve pela sua substância activa.

Além desta medida, o Governo aprovou ainda “medidas adicionais para a racionalização da política do medicamento no âmbito do Serviço Nacional de Saúde”, lê-se no comunicado do Conselho de Ministros. Com este diploma, o Governo “pretende dinamizar o mercado de genéricos, fomentar a liberdade de escolha do cidadão no momento de compra de medicamentos e induzir a redução de preços, garantindo a disponibilidade e dispensa do medicamento de preço mais baixo”.

fonte: Negócios Online