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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Enquanto isso, no Brasil...

"Em Países onde há mais cola na escola, há mais desonestidade na vida adulta, e aqueles que mais colam são também os mesmos que, quando adultos, mais mentem para seus clientes, exageram despesas para seus empregadores e trapaceiam suas seguradoras."

Enquanto isso, no Brasil...

O efeito mais nefasto da falta de ética de nossas escolas é que seus profissionais transferem para os alunos e suas famílias razão do insucesso da própria escola. Pesquisa da UNESCO com 17.000 estudantes e 1.300 professores mostra que os "mestres" culpam o aluno (39%) e seus pais (24%) quando ele reprete o ano. Só 1,9% dos professores culpa a si mesmos (referências completas em twitter.com/gioschpe). E, o que é pior, os alunos introjetam esse fracasso. Em pesquisa com cinco escolas públicas, 90% dos matriculados, na 4ª série (gente de 10 anos!) diziam que se algum dia repetissem o ano a responsabilidade seria sua (!). Eis o cúmulo da atrocidade: não só nossos profissionais da educação vitimizam seus alunos, mas ainda conseguem as vítimas em algozes. Nossas escolas, que deveriam incutir o apreço pela conduta reta, viraram instâncias preparatórias para o mar de sem-vergonhice que assola nosso país.

A manifestação mais clara dessa desagregação moral e cívica é a cola, o hábito de falsear quanto se aprendeu. Se você buscar os termos "cola escola" no Google, não encontrará iracundas manifestações de repúdio a essa praga. Pelo contrário. O primeiro resultado é um site chamado Cola da web, que fornece, entre outras "dicas", uma batelada de resumos dos livros mais pedidos em escolas, bem como uma seção de trabalhos escolares de assuntos populares, ambos em formato pronto para que o aluno copie e cole. O segundo resultado do Google é um grupo do facebook chamado Quem Não Cola Não Sai da Escola. É desnecessário elaborar.

A cola é fenômeno entranhado nas instituições de ensino brasileiras. Há suporte na literatura para os que, como este escriba, só acreditam em dados: pesquisa de 2006 de acadêmicos portugueses com 7.000 estudantes em 21 países mostrou que um aluno brasileiro tem 83% de probabilidade de já ter colado e 100% de probabilidade de ter testemunhado cola. Na Nova Zelândia a possibilidade de um aluno já ter colado é de 21%, porcentual que coloca o país como o terceiro menos suscetível à cola no mundo. No mesmo ranking o Brasil aparece como o quinto mais exposto à fraude escolar.

Aqui a cola é socialmente aceita. Só se pode colar tanto quando alguém faz vista grossa. Esse alguém é o professor. Quem quer que já tenha olhado, de pé, uma turma de alunos sentados, em silêncio, fazendo uma prova, sabe que é praticamente impossível não notar a cola acontecendo. Na minha vida de aluno, vi esse fingimento acontecer dezenas, se não centenas de vezes. No pior dos casos, o professor tossia, acercava-se do aluno ou até lhe chamava a atenção verbalmente. Mas não punia. Nunca vi um aluno levar nota zero, ser suspenso ou expulso da escola por colar. No Brasil a cola compensa.

Essa leniência tem pelo menos duas consequências. A primeira é que ela deslegitima todo o discurso da escola sobre "formar cidadãos críticos e conscientes", sobre ser o lugar onde as crianças aprendem "valores". Ora, se o discurso é diferente da prática - se aqueles que praguejam contra as altas autoridades da nação agem como eles, tolerando a pequena corrupção em troca de uma suposta harmonia no convívio - , então é óbvio que toda a peroração será vista como hipocrisia e descartada. Crianças e jovens têm faro aguçado para demagogos. A segunda é o famoso "pau que nasce torto nunca se endireita": a escola injusta e antiética é a incubadora da sociedade injusta e antiética. A escola, pelo poder que tem e pelo tempo que fica com os alunos em fase de formação, precisa ser um fator dissuasivo. Em vez disso, ao tolerar a cola, ela apenas coloca mais lenha na fogueira da iniquidade. Em países onde há mais cola na escola, há mais desonestidade na vida adulta, e aqueles que mais colam são também os mesmos que, quando adultos, mais mentem para seus clientes, exageram despesas para seus empregadores e trapaceiam suas seguradoras. Dificilmente chegaremos ao patamar neozelandês de honestidade enquanto tivermos escolas que são verdadeiros teatros, em que nossas crianças crescem acreditando que trabalho duro, dedicação e seriedade são coisa de otário.

Gustavo Ioschpe
Veja - Edição de 2 de abril de 2004 - página 80.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Número de cursos de Farmácia cresce 343% na última década, mas mercado de trabalho ainda tem áreas em expansão

Saiba qual é o panorama do mercado de trabalho farmacêutico no Brasil e quais as conseqüências do aumento no número de cursos de graduação em Farmácia.



Atualmente, os egressos dos cursos de Farmácia no Brasil se deparam com um panorama bastante interessante, em relação ao mercado de trabalho. Uma pesquisa no site do e-MEC revela que existem 481 cadastros de cursos de graduação em Farmácia (dados de 2012), sendo que 81 (16,8% do total) desses são cursos gratuitos (instituições públicas) e 400 (83,2% do total) são cursos pagos (instituições privadas).

Em 2001 existiam cerca de 140 cursos, demonstrando um aumento de 343,6% num período de 11 anos. Em 1986 havia 35 cursos de Farmácia no Brasil, sendo que 20%  eram em instituições privadas e 80% em faculdades públicas. Verifica-se que em 26 anos, o número de cursos aumentou 1.374%, e o perfil das instituições (públicas e privadas) mantenedoras dos cursos se inverteu.

O aumento no número de cursos de graduação em Farmácia, consequentemente, lança no mercado de trabalho, muitos egressos. Apesar de sinais de saturação em muitas áreas, outras áreas de trabalho para o farmacêutico tem surgido e se mostram promissoras, tanto no setor público quanto no setor privado.

De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), o número de farmacêuticos no Brasil em 2010 era de quase 143 mil. Destes, 52.176 (36,5%) estão nas capitais, enquanto 90.665 (63,5%) farmacêuticos atuam no interior.

Em relação à oferta de vagas no mercado de trabalho privado, em 2010, o CFF registrou um total de 82.204 farmácias e drogarias, 7.351 farmácias de manipulação, 1.053 farmácias homeopáticas, 5.631 farmácias hospitalares, 5.993 laboratórios de análises clínicas, 532 indústrias farmacêuticas e 3.821 distribuidoras de medicamentos.

Nestas áreas, com exceção das análises clínicas e indústria farmacêutica, a função do farmacêutico é privativa, absorvendo a maior parte da demanda de recém-formados, o que gerou uma saturação em determinados tipos de serviço.

Em relação aos estabelecimentos públicos, em 2010, havia um total de 8.379 farmácias públicas registradas nos conselhos. O sistema público de saúde constitui, atualmente, num importante campo de trabalho para os profissionais de saúde.

De acordo com o IBGE, na década de 80, os serviços públicos de saúde empregavam, aproximadamente, 265.956 trabalhadores de nível superior. Em 2005, com o SUS já implementado, esse número passou para 1.448.749, demonstrando o vigor em sua implementação e a relevância do setor público.

Este campo de trabalho, representado principalmente pela Estratégia Saúde da Família (ESF), hoje em franca expansão, em todo o território nacional, busca ampliar a cobertura da população, assegurando um padrão de serviços compatível com a melhoria da qualidade de vida, com maior resolubilidade da atenção e garantia de acesso aos demais níveis do sistema.

O farmacêutico ganhou espaço na Estratégia Saúde da Família (ESF), sobretudo, a partir de 2008, com a publicação da Portaria n. 154/08 do Ministério da Saúde, que estabelece a criação dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), composto por profissionais de saúde que devem atuar de forma integrada à rede de serviços de saúde, a partir das demandas identificadas no trabalho conjunto com as equipes Saúde da Família.

Em 2011, o Projeto de Lei 2459 foi reapresentado na Câmara dos Deputados, para exigir a presença do farmacêutico em todos os locais onde ocorre dispensação de medicamentos, como as Unidades de Saúde do SUS. Esse Projeto de Lei altera a Lei n.5.991/73, se for aprovado, resultará em aumento significativo no número de postos de trabalho para os farmacêuticos.

Como forma de mostrar o apoio da classe farmacêutica e da população em prol da obrigatoriedade da presença do farmacêutico no SUS, foi criada uma Fan Page na rede social Facebook, cujo acesso pode ser realizado através do link: https://www.facebook.com/PL24592011aprovacaoja?ref=ts

Além disso, novas áreas de atuação para o farmacêutico se mostram promissoras, como a Farmacoeconomia, Farmácia Oncológica, Conduta Baseada em Evidências, Avaliação de Tecnologias em Saúde, Genética e Biologia Molecular, Bioinformática, Pesquisa e Desenvolvimento de Novos Fármacos, Docência, entre outras.

No entanto, a formação dos farmacêuticos para atuação no SUS e nessas novas áreas é desafiadora.

A atuação significativa do farmacêutico no NASF depende não apenas do seu conhecimento técnico sobre medicamentos, mas sobretudo, da sua competência de relacionamento interdisciplinar, de trabalho em equipes multiprofissionais, de acolher o paciente e realizar um trabalho humanizado, de suas habilidades de comunicação, da sua capacidade de gerenciamento e administração do trabalho, dos recursos e da informação. Estas são características pouco relacionadas com a química, a farmacologia e o controle de qualidade da matéria-prima, ou seja, que independem da qualificação técnica. Estas são características humanísticas, que devem estar presentes no trabalho de boas equipes de saúde e que exigem dos profissionais habilidades e atitudes proativas, em prol das necessidades dos pacientes.

No entanto, para atuação no SUS, o farmacêutico precisa se capacitar tecnicamente, bem como vivenciar as práticas de saúde pública desde o ensino na graduação. Os cursos de Farmácia devem oportunizar aos estudantes a aquisição de competências e habilidades que permitam a atuação do farmacêutico no SUS.

Existe a preocupação com a baixa qualidade dos cursos de graduação em Farmácia, agravada pela entrada de novos cursos, possivelmente com quadros docentes mal preparados e programas que não se embasam em pesquisa ou extensão. É verdade que a reforma do ensino farmacêutico, iniciada há pouco mais de dez anos no Brasil e que incorporou a publicação das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Farmácia, vem tentando modificar as normativas curriculares, para formar egressos tecnicamente mais preparados para a atuação na saúde pública.

No entanto, é um desafio para as instituições de ensino superior e para os demais órgãos de classe profissional a preparação adequada do farmacêutico para atuação no SUS. Mas é preciso superar os obstáculos, já que o SUS é um amplo mercado de trabalho, ainda em expansão.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Estude em Stanford de graça Catraca Livre em 03/10/11

por Cristina Caldas*, de Cambridge, especial para o Catraca Livre

Sebastian Thrun, professor da Universidade de Stanford, liderou o time que desenvolveu o carro do Google que anda sem motorista, agora também quer revolucionar a universidade.

Ele resolveu disponibilizar o seu curso “Introdução à Inteligência Artificial” de graça, na internet. Cerca de 130 mil alunos estão inscritos nas aulas que começam no próximo dia 10.

Thrun, conhecido por seus trabalhos em robótica, sonha com uma universidade virtual, onde os melhores professores transmitiriam, via internet, vídeos de suas aulas para dezenas de milhares de estudantes.
Os testes, avaliações e interação entre alunos aconteceriam online e o preço seria acessível a praticamente qualquer pessoa.

Sem ter que desembolsar os 50 mil dólares anuais para as aulas presenciais, os alunos internautas terão as mesmas obrigações dos que lá estão em solos californianos: deveres, provas. Se aprovados, receberão um certificado de conclusão do curso, que não conta como créditos da universidade.

Quer saber mais sobre o tema?
Acesse o blog do Catraca Livre pelo link: http://catracalivre.folha.uol.com.br/2011/10/estude-em-stanford-de-graca/

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ranking mundial das Universidades. Nenhuma da América do Sul.

Nenhuma universidade da América do Sul configurou entre as 200 melhores universidades do mundo, segundo o ranking denominado "Times Higher Education World Reputation Rankings", elaborado pelo diário The Times. "A América Latina tem vários desafios no caminho para o desenvolvimento de universidades de classe mundial", diz Philip Altbach, diretor do Centro Internacional de Educação Superior do Boston College, EUA.

A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, ocupa o primeiro posto na lista. Os EUA têm sete universidades entre as dez primeiras do mundo, seguidos por Reino Unido (duas) e Japão (uma).

A segunda colocação ficou com o Massachusetts Institute of Technology (EUA) e a terceira, com Cambridge, no Reino Unido. Na sequência, figuram a Universidade da Califórnia (EUA), Stanford (EUA), Oxford (Reino Unido), Princeton (EUA), Universidade de Tóquio (Japão), Yale (EUA) e California Institute of Technology (EUA).

O ranking das 199 melhores universidades foi elaborado a partir de uma pesquisa com 13.388 acadêmicos de 131 países, realizada em 2010 pela firma Ipsos Media para a revista Times Higher Education do jornal britânico.
Também tiveram destaque os centros educacionais Imperial College London (11ª), UCLA (EUA, 12ª), Universidade de Michigan (EUA, 13ª), Johns Hopkings University (EUA, 14ª) e Universidade de Chicago (EUA, 15ª).

fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4981865-EI8266,00-Universidades+brasileiras+ficam+fora+de+ranking+mundial.html