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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Antibióticos estão perdendo eficácia

Natalia Kovalenko


remédio, medicina, cura, saúde, antibiótico

© Flickr.com/mathrong/сс-by-nc-sa 3.0

A época dos antibióticos está chegando ao fim. Cada vez mais infecções são resistentes a eles. A disseminação de bactérias insensíveis aos antibióticos ameaça seriamente a humanidade, dizem  os cientistas.

Os médicos de todo o mundo dão o alarme. São descobertas cada vez mais estirpes de bactérias que nenhum remédio hoje existente consegue vencer. Somente na União Europeia morrem anualmente 25 mil pessoas com infeções resistentes aos antibióticos.

Mais do que isto, doenças que antes eram facilmente tratáveis tornam-se mortalmente perigosas. Como há centenas de anos, torna-se difícil curar a a tuberculose, a gonorreia e a meningite. É raro uma intervenção cirúrgica passar sem complicações, conta o chefe da seção de cirurgia do Hospital Militar Central Vishnevsky, Ivan Shandurenko:

“Cresce o número de complicações pós-operatórias. No decorrer das últimas décadas, este problema torna-se cada vez mais essencial. Mais antibióticos levam a consequentemente maior adaptação dos microrganismos a estes antibióticos. Surgiram fermentos que destroem os antibióticos. Naturalmente que são criados novos antibióticos, mas os microrganismos também começam a criar novos métodos de combate a eles.”

Outrora o surgimento dos antibióticos parecia ter tornado o homem invulnerável. As pessoas deixaram de morrer de pneumonia e de contaminação do sangue. Diminuiu em muito a mortalidade por doenças infeciosas graves. Entretanto, o tempo passou e o principal perigo passou a ser representado pelos próprios antibióticos. Sob sua influência as bactérias sofrem mutações e se tornam mais fortes e patológicas. Não se consegue vencê-las pelos meios conhecidos. Como resultado, surge um problema pior do que a AIDS – com a qual, pelo menos, o paciente tem anos para testar diferentes métodos de tratamento. No caso de uma infecção-mutante a conta é de dias e até mesmo de horas.

Naturalmente, os cientistas trabalham permanentemente na criação de novos remédios. Entretanto os especialistas não aconselham contar muito com isso. Na realidade são elaborados muito poucos preparados essencialmente novos e os análogos existentes são pouco eficazes. O docente da cátedra de doenças internas da Universidade Estatal de Medicina de Novossibirsk, Vladislav Mitrokhin não exclui que remédios há muito tempo esquecidos possam ser úteis:

“Se os pacientes tomam com muita frequência alguns preparados, as bactérias elaboram mecanismos de resistência justamente a estes preparados. A resistência não se desenvolve em relação aos antibióticos que são usados raramente. Se algum antibiótico deixa de ser usado, a sensibilidade a ele pode ser restabelecida. Por isso, existe a opinião de que alguns antibióticos antigos, que agora já não são usados, no futuro podem ser úteis.”

A Organização Mundial da Saúde insiste – os antibióticos devem ser vendidos mediante receitas médicas, para excluir seu uso não-controlado. Mas agrava o problema o fato de que a pessoa pode nunca na vida se ter tratado com antibióticos mas seu organismo ser resistente a eles. Isto porque ele tomou estes preparados sem o saber, junto com a comida: ao comer carne de vaca, frango, peixe, pois em todo o mundo, em fazendas, se usam antibióticos como profilaxia e também para rápido crescimento dos animais. Os produtores aplicam-nos ativamente na criação de porcos, patos e outros animais, sem pensar nos efeitos colaterais.

Chineses descobrem porque bactérias resistem aos antibióticos

• Segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 - 11h24

Xangai - Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Fudan, uma das mais prestigiadas da China, em Xangai, descobriu por que certos tipos de bactérias podem desenvolver métodos de resistência contra a ação de algumas variedades de antibióticos, destaca nesta segunda-feira a imprensa local.

A descoberta, embora seja apenas um primeiro passo aplicável para um grupo determinado de antibióticos, pode ajudar a conseguir durante um tempo grandes economias de despesas médicas no mundo todo, já que poderia permitir alongar a vida útil destes remédios, antes de serem necessárias novas alternativas.

O problema da cada vez maior resistência das bactérias ao tratamento com antibióticos se deve sobretudo ao abuso em sua utilização, tanto pelas ocasiões nas quais são prescritos, como pelo excesso das doses aplicadas, um problema que é especialmente sério na China, onde isso já virou um hábito.

Segundo a edição desta segunda-feira do jornal independente "South China Morning Post", a China é um dos países que mais abusa dos antibióticos em todo o planeta, com uma média de 138 gramas por pessoa em 2011.

Agora a equipe da universidade chinesa, liderada pelo biólogo molecular britânico Alastair Murchie, publicou na revista "Cell" o achado, em várias bactérias infecciosas, uma seção especial de seu ácido ribonucleico (ARN) que, quando é ativado, permite se proteger da ação dos antibióticos.

Essa seção química, que foi chamada de "ribo-interruptor de luz" e que localizaram nos tipos de bactéria que causam doenças como a meningite, a pneumonia e a artrite, parece controlar a capacidade da bactéria de resistir aos antibióticos da família dos aminoglicósidos, mediante uma proteína que é liberada ao detectá-los.
Embora esta família de antibióticos representa apenas cerca de 20% destes medicamentos, o avanço é importante, dada a rapidez com a qual está evoluindo o problema da resistência das bactérias, disse Murchie, cujas conclusões foram alcançadas após três anos de pesquisas.

"Isto nos mostra uma nova maneira de enfrentar esta pressão, já que se conseguimos manter esses 'interruptores de luz' apagados, os antibióticos seguirão funcionando e não será necessário gastar bilhões de dólares no desenvolvimento de novos antibióticos", já que poderão usar ainda os de gerações anteriores, muito mais baratos, explicou.

A pesquisa foi financiada pelo Governo central chinês e o de Xangai.

Fonte: Abril

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

MG: secretaria confirma surto de bactéria

No total, 22 pessoas estão contaminadas e internadas pela superbactéria KPC


A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais confirmou o surto da superbactéria KPC, no Hospital Municipal de Betim, na região metropolitana da capital mineira, nesta semana.

No total, 22 pessoas estão contaminadas e internadas pela bactéria e mais três casos ainda estão sendo investigados.

A superbactéria é resistente a antibióticos e os principais sintomas são pneumonia e infecção urinária. A bactéria pode ser transmitida por meio do contato direto, como o contato das pessoas ou pelo uso de objetos.

Fonte: Band

Portugal - Receitas de microbiologia: antibióticos à la carte

Projecto da UP sensibiliza público e promove utilização correcta de substâncias

2012-09-14
Projecto de Verão focado na resistência a antibióticos
Projecto de Verão focado na resistência a antibióticos
 
Um projecto de Verão focado na resistência a antibióticos de laboratório e antibióticos naturais – «Receitas de microbiologia: antibióticos à la carte» – demostrou ser uma estratégia eficaz para a sensibilização de alunos do ensino secundário acerca da resistência destas substâncias e da importância da utilização racional destes medicamentos.

Ao contrário das intervenções educativas tradicionais neste âmbito, que se têm baseado maioritariamente em campanhas informativas de larga-escala, este projecto foi desenvolvido com o objectivo de tirar partido dos reconhecidos benefícios do trabalho laboratorial, exigindo o envolvimento activo dos alunos na sua própria aprendizagem. O estudo é apresentado por um grupo de investigadores da Universidade do Porto (UP) na última edição da revista PLOS ONE.

«Receitas de microbiologia: antibióticos à la carte» é um projecto com a duração de uma semana e com um carácter vincadamente prático que, desde 2010, decorre no laboratório de microbiologia do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências do Porto. Este projecto está enquadrado na Universidade Júnior, um programa promovido pela Universidade do Porto, que visa promover o contacto de jovens dos ensinos básico e secundário com o ambiente universitário.

A disseminação da resistência bacteriana a antibióticos constitui um problema crescente de saúde pública, que exige esforços concertados ao nível do desenvolvimento de intervenções educativas destinadas a sensibilizar o público e promover a utilização correcta de antibióticos. Com este objectivo, vários programas educativos e recursos didácticos têm sido desenvolvidos em diversos países. Contudo, ainda não existem indicadores consistentes da eficácia da maioria destes recursos. Adicionalmente, estudos revelam que a população em geral continua mal informada sobre aspectos básicos relacionados com o modo de funcionamento dos antibióticos e adopta frequentemente comportamentos errados.

Contribuir para a literacia científica


Admitindo que os programas destinados à população mais jovem podem contribuir para a literacia científica de uma geração futura de utilizadores de antibióticos, o grupo de investigadores da UP desenvolveu, implementou e avaliou um projecto para estimular o interesse dos mais jovens e promover a sua consciencialização acerca das consequências da resistência a antibióticos.

“Estávamos interessados em incentivar o interesse dos alunos e promover o raciocínio científico sobre os processos envolvidos na resistência a antibióticos e na actividade de antibióticos naturais, estimulando a ligação entre os fenómenos observados e as ideias subjacentes. Verificámos que através da combinação de diferentes actividades, desde exercícios de bioinformática até a testes de antibióticos naturais, é possível ultrapassar concepções alternativas, aumentar o conhecimento dos alunos e promover o desenvolvimento de competências procedimentais”, segundo referiu Maria João Fonseca, uma das investigadoras envolvidas neste estudo.

Quanto aos benefícios que advêm da incorporação de actividades práticas em programas de educação em ciência, Fernando Tavares, o responsável pelo projecto acredita que "os dados recolhidos ilustram a forma como os ambientes de aprendizagem informal como o proporcionado pela Universidade Júnior, podem ter um impacto efectivo e mensurável nos nossos alunos, e contribuir para promover a literacia científico acerca de assuntos socio-científicos essenciais entre as gerações futuras”.
Fonte: Ciência Hoje