terça-feira, 5 de março de 2013

Remédios ilegais são oferecidos na Internet

A internet se transformou em uma farmácia virtual, onde cresce a venda ilegal de medicamentos de uso restrito ou de comercialização proibida no País. Em uma simples busca pelas páginas virtuais é possível encontrar a oferta de abortivos, inibidores de apetite, anabolizantes e outros produtos capazes de provocar reações desastrosas e irreversíveis no organismo de uma pessoa. 

No início deste mês, uma adolescente de 15 anos foi parar no Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, após ter hemorragia e abortar a criança que esperava. O medicamento abortivo foi comprado pela internet. Ainda assim, o combate a esse mercado ilegal é um desafio às autoridades de segurança pública e sanitária. 

Na Capital, a Vigilância Sanitária (Visa) procura monitorar a rede virtual para fiscalizar o anúncio de produtos clandestinos. “Quando (o site) é localizado é feito o print screen (captura) da tela e denunciado ao Ministério Público e à Polícia Federal para que os responsáveis sejam rastreados”, informou o coordenador da Visa, Wagner Martins Coelho. 

Porém, Coelho destaca as dificuldades inerentes ao comércio eletrônico clandestino. Uma delas é o fato dos fornecedores ou contrabandistas utilizarem pseudônimos para criar sites e perfis em redes sociais para anunciar os produtos. Em muitos casos, também não disponibilizam endereço ou telefone. “Geralmente, os responsáveis utilizam servidor que não é do Brasil. Por isso, é difícil identificar”, comentou. 

Da Corregedoria da PF, o delegado Renato Sayão informou que os crimes que têm início no exterior e desfecho no território brasileiro são apurados pelo órgão federal. 

Exemplo disso foi a apreensão de mais de 50 comprimidos de Cytotec (fármaco indicado para úlceras gástricas, mas que pode causar hemorragia e aborto), além de anfetaminas e anabolizantes, ocorrida ano passado em Mato Grosso. “Neste caso, a pessoa era reincidente e o inquérito já foi mandado para a Justiça”, destacou. 

Parte destes inquéritos também é fruto das apreensões feitas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). “Isso é que dá mais resultado. São feitas as apreensões e pessoas presas em flagrante”, disse o delegado. O número de inquéritos abertos para investigar este tipo de crimes não foi informado. 

Coelho destacou ainda as fiscalizações de rotina feitas nas farmácias ou drogarias localizadas na capital. Ano passado, dois estabelecimentos farmacêuticos foram interditados por conta da comercialização irregular de produtos proibidos ou sem registros. Em uma das drogarias, havia inclusive abortivos. 

Vale lembrar que são cada vez mais aperfeiçoados os mecanismos de identificação de criminosos que agem no mundo virtual. O artigo 273 do Código Penal prevê prisão de dez a 15 anos para quem falsifica, corrompe, adultera ou altera produtos terapêuticos ou medicinais. Incorre nas mesmas penas quem importa, vende, expõe à venda, tem em depósito para vender, ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo o produto sem registro. 

Diario de Cuiaba

Fonte: To Sabendo

Medicamentos podem causar azia e má digestão

Publicado em Divulgação científica
01 de março de 2013 

Outros problemas estomacais, como úlcera e gastrite, também são destaques do programa de rádio da Faculdade de Medicina da UFMG

A pirose, popularmente conhecida como azia, é consequência daquela sensação de queimação que começa no estômago, “sobe” pelo peito e chega à garganta. Nesses casos, a causa do problema é, geralmente, o refluxo do ácido estomacal, que auxilia na digestão dos alimentos. Mas além dessa sensação de ardor, outros sintomas são gerados, com origens distintas.

Para o gastroenterologista Luiz Gonzaga Coelho, professor da Faculdade de Medicina da UFMG, o paciente pode comer pouco e sentir um peso no estômago, enjoar e até ter vontade de vomitar. “Quando a azia se localiza apenas na região estomacal, ela pode significar maus hábitos alimentares ou, às vezes, uma irritação no estômago, por excesso de álcool, uso de medicamentos ou ainda por estresse.” O professor acrescenta que a azia que surge quando o estômago está vazio e melhora com a alimentação, pode ser decorrente de uma úlcera.

Foto: Reprodução

Anti-inflamatórios e medicamentos derivados do ácido acetilsalicílico, como a aspirina, têm relação com o problema. E, embora qualquer pessoa possa ser vítima da azia, ela é mais comum em obesos e indivíduos com mais de quarenta anos, além de grávidas no último trimestre de gestação.

Sobre a prevenção, Luiz Gonzaga explica que, quando ela é causada pelo refluxo, a pessoa deve evitar grandes refeições, alimentos gordurosos e ainda deitar com o estômago muito cheio. Já se a azia é consequência do uso de medicamentos, ele recomenda identificar e substituir os remédios por outros que sejam menos tóxicos para o estômago. E para amenizar os sintomas, pode-se recorrer aos antiácidos, mas, de preferência, que os remédios não sejam utilizados simultaneamente.

Segundo o professor, situações emocionais também estão relacionadas. “É muito comum pessoas vivendo um momento de tensão, de ansiedade, sentirem dores estomacais, que se manifestam através da azia.” Por isso, o tratamento pode envolver, inclusive, o controle dessas condições.

Tema da semana
O Saúde com Ciência desta semana aborda alguns problemas estomacais, como a gastrite, e dá dicas de prevenção e tratamento, entre outras informações. Confira a programação:
Má digestão – segunda-feira (04/03/2013)
Azia – terça-feira (05/03/2013)
Úlcera gástrica – quarta-feira (06/03/2013)
Gastrite – quinta-feira (07/03/2013)
Esofagite – sexta-feira (08/03/2013)

Sobre o programa de rádio
O Saúde com Ciência é produzido pela Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. O programa é veiculado em vinte e sete emissoras de rádio em Minas Gerais. Também é possível conferir as edições pelo site do Saúde com Ciência.

domingo, 3 de março de 2013

Governo poderá contratar médicos estrangeiros para regiões com carência de profissionais

Vladimir Platonow

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O governo federal estuda a possibilidade de atrair médicos estrangeiros para o trabalho na área de atenção básica à saúde, principalmente nas periferias das grandes cidades e nos municípios do interior. O assunto foi discutido nesta semana pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com integrantes do Ministério da Educação (MEC) e reitores de universidades.

“Nós continuamos recebendo uma demanda muito forte dos novos prefeitos e dos governadores em relação a atrair médicos que se formaram em outros países, sobretudo Portugal e Espanha, para atuar na atenção básica no país. Estamos analisando essa proposta, que é complexa, e precisamos analisar o formato", explicou Padilha. O ministro participou hoje (2) da cerimônia de recepção aos 204 médicos recém-formados que vão atuar no estado do Rio por meio do Programa de Valorização do Profissional a Atenção Básica (Provab).

Segundo Padilha, uma possível vinda de médicos estrangeiros não significa que haverá revalidação automática do diploma, que continuará passando pelos trâmites necessários. “O médico que se formou em outro país e queira atuar no mercado de trabalho livre tem que continuar passando pela principal forma de validação do diploma, que é o Revalida. Mas estamos discutindo isso com as universidades."

O Provab vai permitir a atuação de 4.392 médicos nos serviços de atenção básica de saúde em 1.407 municípios. Durante um ano, os profissionais vão fazer pós-graduação em Saúde da Família, recebendo bolsa mensal do governo federal no valor de R$ 8 mil. Eles serão orientados por instituições de ensino superior, acompanhados pelos gestores locais, e as aulas teóricas serão ministradas pela Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde.

O Nordeste absorverá a maior parte dos médicos, com 2.494 profissionais para trabalhar em 696 municípios, já no Sudeste serão 1.018 em 357 cidades. O Sul terá 370 profissionais em 169 localidades. Para o Centro-Oeste irão 269 para 101 municípios e o Norte contará com 241 profissionais, que atuarão em 84 regiões.

Segundo o ministro, o bom momento do país está levando a uma grande demanda por profissionais de medicina. “Temos um mercado muito aquecido para o profissional médico. O Brasil formou 13.600 médicos em 2011, quando foram abertos, com registro formal com carteira assinada, de primeiro emprego, 19 mil [vagas para] médicos. Ou seja, o médico quando se forma já tem como oferta pelo menos um emprego e meio, sem contar a oferta de plantão.” O desafio do governo federal é justamente levar esses médicos para o interior do país e para as periferias das grandes cidades.

Padilha ressaltou que o orçamento do Ministério da Saúde para 2013 cresceu e existe verba suficiente para equipar unidades de saúde nos municípios, mas que o repasse de recursos muitas vezes esbarra na falta de projetos adequados enviados pelos novos prefeitos.

“Se o prefeito quiser reformar todas as unidades básicas nos bairros de seu município, ele tem recurso do ministério para isso. Hoje estamos reformando ou ampliando 20 mil unidades básicas de Saúde no país e vamos construir outras 5 mil. O problema, sobretudo nos pequenos municípios, era não ter projeto. O ministério resolveu contratar um projeto e colocou à disposição desses municípios.”

Edição: Andréa Quintiere

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 1 de março de 2013

Em caso de intoxição por medicamentos, HC aconselha: não ingerir água ou leite, procure ajuda médica

Ceatox do Hospital das Clínicas registra 600 casos de intoxicação por medicamentos ao mês; principais vítimas são crianças de um a quatro anos de idade

De acordo com levantamento do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, foram registrados, no primeiro semestre de 2012, cerca de 600 casos de intoxicação por medicamentos ao mês.

- Siga o Governo do Estado de São Paulo no Twitter e no Facebook  

A faixa etária de um aos quatro anos de idade representa 25% dos atendimentos no total, e dos cincos aos nove anos, 8%. "Elas são atraídas, normalmente, pelas cores chamativas ou até mesmo pelo cheiro doce de alguns remédios", alerta o diretor médico e toxicologista do Centro, Anthony Wong.

Já os adultos, entre 30 e 39 anos de idade, representam 11% do atendimento. Sendo que cerca de 60% de todas as idades são mulheres. Diante desses números, o especialista faz alguns alertas:

- Não ingerir água ou leite após perceber que tomou um medicamento que não deveria, pois pode espalhar mais o medicamento pelo organismo ou provocar alguma outra reação no caso do leite

- Não é aconselhável provocar o vômito

- Manter a calma e buscar orientação profissional, sempre

Atendimento no Ceatox do HC

Diante de uma situação de emergência, o atendimento no Ceatox é de primeiros socorros, feito pelo telefone no 0800-0148110. As informações são passadas conforme a descrição dos responsáveis e o cidadão é orientado de uma forma segura. A equipe do Centro é formada por médicos, enfermeiros e farmacêuticos, que atende 24 horas, todos os dias da semana.

Circulação sem controle favorece falsificação de medicamentos

Com informações da Agência USP

Falsificação de remédios
Pesquisa internacional coordenada pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, com participação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, alerta para o elevado número de medicamentos falsificados em circulação no mundo, que chega a 50% na África.

A falta de fiscalização na circulação de medicamentos e dos seus princípios ativos (cadeia de suprimentos) favorecem a falsificação, principalmente em países subdesenvolvidos.

No Brasil, o estudo revela que o principal problema é a deficiência no controle de fronteiras, que facilita a entrada de medicamentos falsificados.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 20% a 25% dos medicamentos comercializados em todo o mundo são falsificados. O professor Marco Antonio Stephano, que representou o Brasil na pesquisa, afirma que o índice de falsificação no país é baixo, oscilando entre 5% e 8%.

"Em todo o mundo, os principais alvos de fraudes são os chamados medicamentos blockbusters, com faturamento de vendas superior a U$ 1 bilhão por ano, como os utilizados no tratamento de câncer, doenças crônicas como diabetes, Alzheimer, disfunção erétil, malária e doenças autoimunes", explica.

Remédios falsificados no Brasil
"No Brasil a maior parte desses medicamentos é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou seu consumo não é o mesmo encontrado em outros países," diz o pesquisador.

As falsificações mais encontradas no mercado brasileiro são de medicamentos sociais ou de entretenimento, como os usados no tratamento de disfunção erétil, e de anabolizantes para fortalecimento físico.

O professor alerta que os medicamentos provenientes de cargas roubadas também são considerados falsificações. "Normalmente, esses produtos são submetidos a um processo inadequado de armazenamento e alterações de embalagem, o que pode levar a perda de sua atividade terapêutica", diz. "Os fabricantes são obrigados a investir em segurança no transporte, o que encarece o preço para os consumidores".

Embora não tenham sido localizadas fábricas de medicamentos falsos no Brasil, eles entram no País ilegalmente pelas fronteiras, por meio das mesmas rotas do tráfico de drogas. "A maioria dos produtos é fabricada na China, Índia, Paraguai e Bolívia, sendo que nos dois países sul-americanos existem empresas com equipamentos antigos que produzem as falsificações", ressalta Stephano. "É possível encontrar medicamentos falsos contra disfunção erétil ou colesterol no comércio ambulante das grandes cidades".

Fiscalização de medicamentos
De acordo com o professor, a legislação brasileira contra falsificações de medicamentos é rigorosa, mas falta fiscalização.

"As penas são muito severas, os falsificadores podem receber penas de três a 15 anos de prisão, conforme a gravidade do caso, e as empresas multadas em R$ 75 mil", aponta. "Entretanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem uma carência de pessoal para fiscalizar os mais de 300 mil medicamentos registrados no País".

A Agência, que também controla produtos médicos e alimentos industrializados, deverá realizar concurso público neste ano para contatar 340 novos funcionários.

Falsificação
Em 2011, a OMS publicou documento sobre a falsificação e subpadrões de medicamentos. "Na África, o índice de produtos falsos chega a 50%, principalmente medicamentos contra a malária, o que aumenta os custos hospitalares e o número de mortes", conta Stephano.

Com base nesse documento, a FDA (Food and Drug Administration), órgão do governo dos Estados Unidos que realiza a vigilância sanitária, encomendou um novo estudo em 2012 ao Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências, para estabelecer formas de combate à falsificação.

"A OMS publicou uma convenção internacional que adota o critério do 'contrafeito' (counterfeit), termo jurídico que implica que todo medicamento fora das regras legais, isto é, produzido a partir de princípio ativo com proteção patentária, é considerado falsificação," disse

Segundo o professor, em muitos países, como no Brasil, a legislação não considera que o princípio ativo isolado de uma planta ou de materiais biológicos encontrados na natureza deva ser patenteado, por isso não adotam o "counterfeit", dificultando a fiscalização do processo produtivo.

Rastreabilidade dos medicamentos
A pesquisa recomenda o aumento da rastreabilidade dos medicamentos, além da ampliação dos mecanismos de controle de qualidade e atendimento ao consumidor. "Também é necessário criar uma cultura nos cursos de Medicina e Farmácia para que haja uma maior identificação das fraudes".

Stephano lembra que, nos países desenvolvidos, a entrada de medicamentos falsificados se dá pela compra direta via internet, muitas vezes sem precisar de prescrição médica.

"A maioria dos sites de medicamentos são fora do Brasil, pois empresas virtuais brasileiras devem seguir os mesmos trâmites de registro de empreendedorismo que as empresas físicas", afirma. "Neste caso, uma das recomendações é que se controlem as empresas de venda de medicamentos pela internet com inspeções e aquisições de medicamentos, de modo a coibir a venda de medicamentos falsos".

O estudo teve a participação das universidades de Harvard, George Washington State e Iowa (Estados Unidos), além de pesquisadores da Índia e África do Sul. O Brasil foi representado pela FCF. As conclusões e as recomendações da pesquisa foram reunidas em livro, que pode ser acessado no link www.iom.edu.