terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sentimentos de uma Farmacêutica

Boa noite, colegas farmacêuticos.
Me permiti abrir um parênteses, e falar um pouco dos processos que proporcionaram alguma mudança ao nosso país e, direta ou indiretamente, aos cidadãos que aqui nasceram ou escolheram esse solo como lar.
Após anos de censura, eis que surge uma luz no fim do túnel e, com o movimento Diretas Já, emanara um nome em que os brasileiros depositaram grande parte de sua esperança - Tancredo Neves.

O movimento Diretas Já tomou conta de nosso país de norte a sul, leste a oeste. Jovens, adultos, profissionais dos mais diversos segmentos foram às ruas bradar toda sua insatisfação e exigir democracia que, neste momento em particular, seria representado por eleições diretas para Presidência da República e, conseguimos.

Elegemos Tancredo Neves, que veio a óbito e marcou nosso país por uma comoção uníssona e o Brasil chorou. Mas não desistimos.

Aparece no cenário político, um jovem alagoano, articulado, falante e com empatia peculiar e, num Brasil ainda de luto, elegeu-se presidente. E nesse panorama, muitos perderam o pouco que tinham, a inflação explodiu e, mais uma vez, o povo foi às ruas, só que agora para dizer BASTA!!! E, num processo catalizador, único e bravo, exigíamos a saída e/ou renúncia de um presidente. Orgulhoso, não renunciou, mas a pressão popular mais uma vez invadiu o coração do povo brasileiro, o Congresso Nacional não teve outra alternativa e o impeachment foi anunciado em sessão com votação aberta. Derrubamos, com nossa força, quem não nos representava.

Bem, a essa altura, alguns devem estar se perguntando: onde ela deseja chegar com essa narrativa histórica?
Então, vamos lá.

As mudanças que desejamos somente acontecem quando estamos comprometidos e imbuídos do desejo de mudar. Aqui não vale o "vou lavar as mãos", e embarcar no "pior que está não vai ficar". Acredite, parafraseando Edward Murphy, "se algo pode dar errado, dará". E você, vai ficar com o risco do ônus até quando? Até quando a zona de conforto realmente será o conforto esperando? Até quando ficaremos omissos, ou nos permitiremos reféns do que podemos mudar?

Ninguém pode me garantir, lhe garantir, nos garantir que milagrosamente todas as mudanças acontecerão, pois há medidas que independem de uma assinatura, uma "canetada" num papel; mas estejamos certos, que todos os esforços serão esgotados para que a probidade e publicidade permeiem as ações desenvolvidas e implementadas.

Devemos a nós mesmos e a toda uma categoria a possibilidade de renovação. Porquê? Para amanhã, bem próximo certamente, não nos arrependermos de não tê-la oportunizado.
Sou uma gota num oceano de aproximados dezessete mil, mas sou capaz de promover um tsunami. E você, estimado colega? Vai nadar conforme a maré, ou se agitar até formar uma onda capaz de mudar o lugar comum?

Sou uma jovem farmacêutica, sim. Mas com uma história, um nome a zelar publicamente, por possuir uma carreira sólida e pública em outra área do conhecimento de longos vinte e sete anos de profissão. Logo, capaz de dissertar com propriedade sobre o panorama que vejo se desenhar aos meus e nossos olhos, pois sempre me coloco no lugar do outro, no coletivo profissional. E, por ser atuante e militar por nossos direitos, por ousar em emitir minhas opiniões, me vi covardemente respondendo a processo ético-disciplinar que foi arquivado, por unanimidade, em plenária. Ou seja, até o denunciante votou pelo arquivamento. Democracia, demagogia ou hipocrisia?

Lanço a todos um questionamento: quando o continuísmo e a alternância de poder foi benéfica ao povo? Não é e nem será à uma categoria, não se iludam que aconteceria diferentemente.

Digo e reafirmo que somente através do voto podemos mudar o que nos desagrada, o que não nos representa.

Em minhas andanças, ouço e percebo que há uma insatisfação geral, por inúmeros motivos reais, que poderia listá-los em algumas páginas. Não o farei por sentirmos todos na própria pele quase diariamente.

Até quando permitiremos que nos firam assim?

Não sou candidata a nenhum cargo na eleição de nosso conselho, ainda não é chegada a hora. Mas me posicionei em apoio a uma chapa não apenas por questões de amizade, porém e sobretudo, por me ver representada na renovação proposta, no não continuísmo. É cargo eletivo em representatividade de classe, numa autarquia federal; diferentemente de um cargo eletivo em uma agremiação social, não menos importante- vale a ressalva.

Por isso concedo a CHAPA 3 - TRANSPARÊNCIA FARMACÊUTICA, meu apoio e meu voto de confiança, certa de que me representarão e implementarão as propostas promovidas.

Participei de todas as etapas de construção da mesma e vejo contemplada as diferentes áreas de atuação legitimamente.

Toda a campanha é auto financiada por seus membros e por doações de amigos, ansiosos por representatividade, por mudanças e renovação da nossa casa.

Vejo, na figura do Dr. Tadeu de Sá Vieira, um representante legítimo e preparado para nos representar, assim como os demais componentes dessa chapa, que propõe para o CRF-RJ uma gestão transparente, otimizada, focada no ensino , nos anseios e no resgate da dignidade do profissional farmacêutico, esquecido ao longo do tempo face aos interesses mercadológicos, pretendendo atuar com probidade, publicidade e legalidade.

Finalizando, o Dr. Tadeu Augustinho de Sá Vieira e os demais componentes da CHAPA 3 -TRANSPARÊNCIA FARMACÊUTICA, me representam.

Uma dica? Pesquise, conheça aqueles que vão lhe representar.

Eu conheço meus candidatos. E você, conhece bem os seus?

Pense bem; voto não tem preço, tem consequência.

Um forte abraço.

Drª. Silvia Barreto
Farmacêutica

Outubro de 2013.

Ministério Público do Trabalho investiga Estabelecimentos Farmacêuticos que pagam abaixo do Piso

Denúncia foi feita pelo Sinfarms 

Após várias denúncias de que Estabelecimentos Farmacêuticos estariam pagando salários abaixo do Piso Normativo, o Sinfarms protocolizou denúncia à Coordenadoria Nacional  de Combate às Fraudes nas Relações de Emprego
(CONAFRET), no Ministério Público do Trabalho/MS.

Leia resposta do MPT

Após colher várias provas este Sindicato protocolizou denúncia com os nomes e os CNPJs das empresas que fazem este tipo de fraude.
Vale lembrar que tais estabelecimentos poderão ser fechados e, ainda, sofrerem pesadíssimas multas do MPT.

Em assim sendo, o Sinfarms conclama a todos os farmacêuticos que ganham abaixo do Piso, ou que conhecem algum estabelecimento que pratica este crime para que denuncie através do link "Denuncie" do site www.sinfarms.org.br.

É hora de dar basta nesta humilhação!  O Sinfarms conta com a participação ativa de todos os farmacêuticos.

Fonte: Sinfarms


Ministério Público do Trabalho ajuíza ação contra farmácias Pague Menos

Operadores de caixa eram obrigados a vender medicamentos
Maceió/AL – O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas ajuizou ação civil pública contra as farmácias Pague Menos por abusar do “poder diretivo do empregador”, ao exercer pressão psicológica sobre os empregados que ocupam a função de caixa.

O MPT recebeu denúncia informando que os empregados contratados como “caixa” eram pressionados a vender medicamentos, mediante ameaça de demissão ou transferência caso não atingissem a meta fixada pela empresa.
 
Foram realizadas três audiências pelo MPT, para colher depoimentos de antigos empregados da empresa, que possui 12 filiais em Alagoas, sendo 11 em Maceió e uma em Arapiraca, e um total de 360 trabalhadores.
 
Todos os ex-empregados confirmaram que os caixas também exerciam a função de vendedor, como também eram obrigados a realizar a limpeza de produtos e etiquetá-los com os preços, e ainda verificar o prazo de validade desses itens.
 
Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi proposto, mas a empresa recusou. Segundo o procurador do Trabalho Rafael Gazzanéo, ao exigir o acúmulo de funções, a empresa descumpre os seus deveres contratuais, já que obriga o seu empregado a exercer, além da função de “caixa”, outras funções estranhas àquela para qual foram originalmente contratados. “A realidade arrasadora do desemprego é gritante e, para manter o emprego, o empregado aceita executar tarefas e atividades que não possuem qualquer relação com a função para a qual foi contratado, caracterizando, assim, a sujeição da parte fraca da relação jurídica às imposições abusivas do seu empregador”, destacou.
Com a ação civil pública, o MPT requer que o estabelecimento não exija que seus empregados contratados na função de caixa acumulem outras funções, e em caso de descumprimento pague um multa de R$ 200 mil. Como indenização por danos morais coletivos, o MPT pede a condenação da Farmácia Pague Menos ao pagamento de multa de R$ 1 milhão. Os valores serão revertidos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Farmácia que pressionava caixas a vender medicamentos é condenada - Dano moral - Economia - Bonde. O seu portal
Veja mais em: http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-39--234-20131029
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sábado, 26 de outubro de 2013

O Farmacêutico é importante numa drogaria por conta da Lei?

Para reflexão dos colegas. 
O farmacêutico é importante numa drogaria por conta da Lei?
E se um dia essa Lei mudar?

Portanto o Farmacêutico não pode garantir sua função devido a exigência da Lei. Mas sim pela importância de seus serviços prestados. Não se amparando apenas na Lei, já que ela pode ser modificada.

Pense nisso !

Uso subcutâneo, intramuscular, tópico...

Pasquale Cipro Neto*
O sujeito sai do consultório com a receita nas mãos. Tenta entender os hieróglifos (ou "hieroglifos", tanto faz) do médico. Não obtém pleno êxito, mas pelo menos uma coisa lhe parece clara: "uso tópico", expressão que muitas vezes encabeça as recomendações do facultativo. Os mais novos talvez não saibam, mas o facultativo é o médico mesmo.

E lá vai o nosso paciente, intrigado com o "uso tópico". Que significa isso? "Tópico" vem do grego "tópos", radical que indica idéia de lugar e que aparece em alguns vocábulos de nossa língua: "topofobia" (medo mórbido de certos lugares), "topônimo" (nome de lugar - região, cidade, país etc.), "topografia" (descrição exata e minuciosa de um lugar) etc.

Pois bem, o uso é tópico porque é feito no lugar do corpo em que se manifesta o mal. Na prática, o uso tópico acaba significando "uso na pele", já que o medicamento é aplicado diretamente na pele que cobre a região do corpo em que está o mal que se quer curar. Sem saberem o que significa "uso tópico", muitas vezes é só na farmácia que os pacientes descobrem que o médico receitara uma pomada, um creme, um xampu, uma loção ou um sabonete.

Bem, voltemos ao nosso paciente, que na mesma receita encontra a prescrição de outro medicamento, agora com esta recomendação: "uso intramuscular". Aqui, nenhuma dúvida: o sujeito já sabe que vai ter de tomar uma injeção. O problema, agora, não é de compreensão; é de grafia mesmo. Não são poucos os médicos que escrevem "intramuscular" com hífen a separar o prefixo latino "intra" (que significa "dentro de", "no interior") do adjetivo "muscular". O prefixo "intra" só se agrega com hífen a palavras iniciadas por vogal, "h", "r" ou "s", como "intra-articular", "intra-uterino", "intra-ocular", "intra-hepático" etc. Nos demais casos, nada de hífen: "intramuscular", "intracartilaginoso", "intravascular", "intracraniano" etc. O correspondente grego de "intra" é "endo", que se encontra em "endocárdio", "endotraqueal", "endocrinologia" (de que faz parte o elemento grego "crino", que significa "separar", "distinguir", "discernir"), "endovenoso" etc. 

A esta altura, talvez alguém esteja pensando que basta seguir o que se recomenda com "intra" para não errar mais no emprego do hífen com os outros prefixos, muitos dos quais são comuns na terminologia médica ("anti", "ultra", "auto", "semi", "inter" etc.). Não é bem assim; cada caso é um caso. Um bom exemplo é o prefixo grego "anti", que indica idéia de oposição. Com ele, só ocorre hífen se a palavra agregada começa com "h", "r", ou "s": "anti-hemorrágico", "anti-histamínico", "anti-retroviral", "anti-sifilítico", "anti-rábico". Nos demais casos, nada de hífen: "antiinflamatório" (com "ii", sem hífen), "antiinfeccioso" (também com "ii", sem hífen), "antiasmático", "antiemético", "antiepiléptico" etc.

E o nosso paciente? Está cercado de remédios por todos os lados. Acaba de constatar que o médico preencheu a frente e o verso da receita. Na última das recomendações, está presente a expressão "uso sub-cutâneo", grafada assim, com hífen. Eis outro prefixo que normalmente é atado ao radical com hifens desnecessários. "Sub" só se agrega com hífen a palavras iniciadas por "b" ou "r". Salvo engano, não há termos médicos que se enquadrem nesse caso. Nos demais, porém, não faltam exemplos, todos grafados sem hífen. Prepare-se, doutor: "submandibular", "subclavicular", "subclínico", "subcostal", "subepático" (sem "h"!), "subcapsular", "subluxação", "suboccipital", "subcutâneo", "subfebril".

Depois de tantos remédios, administrados de  maneiras tão díspares, nosso caro paciente quer se curar, sem que isso se transforme em algo utópico. Utópico? Mas essa palavra nos lembra o início da receita, ou seja, o uso tópico. Santo Deus, lá vem remédio de novo? Não vem, não, embora as palavras "tópico" e "utópico" tenham tudo que ver uma com a outra. Na verdade, ao pé da letra, uma é o contrário da outra. O "u" de "utópico" nada mais é do que o prefixo negativo grego "ou", agregado pelo humanista inglês Thomas Morus ao radical grego "tópos" para criar a palavra "utopia", com a qual batizou, em 1516, uma ilha imaginária, cujo sistema sociopolítico era simplesmente o ideal. Ao pé da letra, "utopia" significa "nenhum lugar". Na prática, a utopia é o sonho, a fantasia, a realização do impossível, daquilo que não existe em nenhum lugar. 

Pois é justamente por uma utopia que trabalham (ou deveriam trabalhar) os médicos e a medicina: a de uma sociedade sem doenças e sem doentes. Enquanto esse tempo utópico não chega, curamo-nos com medicamentos de uso oral, subcutâneo, intramuscular, tópico...

* Pasquale Cipro Neto é professor de português, colunista dos jornais Folha de S. Paulo, O Globo, Diário do Grande ABC, entre outros, idealizador e apresentador do programa Nossa Língua Portuguesa da TV Cultura e autor de várias obras ligadas à lingua portuguesa. 
 
Fonte: CREMESP